- Publicidade-
InicioMundo LusófonoCabo VerdeCabo-verdianos preparam-se para sair à rua em protesto no Dia da Independência

Cabo-verdianos preparam-se para sair à rua em protesto no Dia da Independência

Vários movimentos cívicos cabo-verdianos vão sair à rua, quinta-feira, quando se assinala o 43.º aniversário da Independência para contestar o centralismo político e o que consideram a “desgovernação” e o “descaso” com as populações.

O movimento Sokols, que promoveu, em São Vicente, duas das maiores manifestações cívicas realizadas em Cabo Verde – a 05 julho de 2017 e a 13 janeiro 2018 – promete reeditar, na quinta-feira, a Marcha da Fome do Capitão Ambrósio, percorrendo as ruas do Mindelo, “empunhando a negra bandeira da fome de tudo”, segundo os organizadores do protesto.

Trata-se da recriação da revolta do povo do Mindelo, em 07 de junho de 1934, para exigir respostas da então metrópole para o desemprego, a miséria e a fome porque passavam as populações na sequência da crise mundial.

A revolta foi liderada por Nho Ambroze, um carpinteiro de Ribeira Bote, que se tornou num símbolo da resistência e foi elevado à categoria de mito no poema de Gabriel Mariano, datado de 1956, “Capitão Ambrósio”.

Na mobilização, feita através das redes sociais, o convite é para que os cidadãos se juntem à marcha “vestidos de negro e com cartazes alusivos às fomes dos dias de hoje: pão, saúde, educação, emprego, justiça, transporte, saneamento, meritocracia, autonomia, descentralização, transparência governativa, cidadania ativa e ambiente saudável”.

Segundo a organização, a marcha será pacífica e não será aceite nenhum “tipo de simbologia partidária ou a bandeira de Cabo Verde antes da democracia, pelas suas óbvias conotações partidárias”.

O movimento “Kordá (acordar) Cabo Verde” convocou manifestações para as cidades da Praia, na ilha de Santiago, e São Filipe, na ilha do Fogo.

Em comunicado, a organização do movimento explica que a manifestação visa “apelar e sensibilizar o Governo e as autoridades competentes no sentido de agirem para que não haja mais negligência e mortes por falta de socorro em Cabo Verde”, numa alusão aos problemas com o transporte de doentes entre ilhas.

O Movimento por São Nicolau está também a convocar a população para manifestações “por um Cabo Verde melhor”.

Na Boavista, o movimento “SOS Bubista” vai sair de novo à rua, depois da manifestação de maio, que juntou centenas de pessoas, em protesto contra a falta de serviços de saúde e o abandono a que se dizem votados pelo poder central.

Naquela que é a segunda ilha mais turística do país, a manifestação de quinta-feira tem como lemas “SOS às evacuações desumanas e exigência de médicos especialistas”, “SOS às crianças desaparecidas”, “SOS ao sistema de saúde e previdência social”.

O descontentamento na ilha subiu de tom depois de uma mulher grávida, a quem alegadamente foi recusado transporte aéreo, ter sido levada de barco para a ilha do Sal, onde acabaria por morrer no hospital.

O problema no transporte de doentes entre ilhas vêm-se repetindo e os responsáveis do movimento apelam à população para que faça ouvir a sua voz, exigindo respostas do Governo.

“Será um dia de reflexão sobre a situação que o país atravessa neste momento. Não podemos ficar calados, não podemos ficar em casa. Temos de mostrar que basta dessa situação em que famílias perdem os entes queridos por causa de um sistema de saúde que não funciona”, adianta o movimento.

O 43.º aniversário da Independência de Cabo Verde será assinalado com a habitual sessão solene na Assembleia Nacional, na cidade de Praia, bem como com diversas iniciativas do Governo, partidos e instituições da sociedade civil um pouco por todo o país. (Sapo 24)

por Lusa

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Notícias relacionadas

- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.