- Publicidade-
Smooth Jazz Rádio Calema
Inicio Angola Sociedade Garimpeiros no Kilamba Kiaxi causam problemas no abastecimento de água

Garimpeiros no Kilamba Kiaxi causam problemas no abastecimento de água

Dezenas de cidadãos no Kilamba Kiaxi dedicam-se à venda ilegal de água, causando prejuízos avultados a Empresa Pública de Águas (EPAL-EP), constatou a Angop.

Numa ronda para detectar os pontos de garimpo de água, os técnicos da EPAL comprovaram a existência de vários locais onde se desenvolve o garimpo de água com maior incidência para o bairro Aníbal Rocha, Distrito Urbano da Sapu.

Naqueles bairros, as ligações e venda ilegal de água são visíveis e são feitas tanto à luz do dia como à noite. Para facilitar o trabalho, os garimpeiros muitas vezes usam maquinaria pesada para as escavações e perfuração de condutas indutoras.

Muitos destes cidadãos, aproveitando-se da fraca capacidade técnica e de abastecimento da EPAL no município, têm no garimpo uma fonte de renda para o sustento das suas famílias.

Outros até tornaram-se “empresários”, porque além da venda de água em camiões cisternas, são responsáveis por ligações domiciliares e “dão resposta a quase todas” as preocupações de outros moradores quando o assunto se trata de água.

Durante a ronda os técnicos da EPAL constataram inclusive o caso de um cidadão que tem uma ligação ilegal de água, a partir de uma conduta indutora, que além de fornecer a sua residência faz ligações para outras.

O cidadão não apresentou aos técnicos documentos que comprovam o contrato e pagamento do consumo de água, alegado que os mesmos encontram-se na posse da EPAL.

Tem água em casa desde 2012, e segundo esclareceu, graças a um “pedido especial” que fez à direcção da EPAL que na altura funcionava na baixa de Luanda.

Na rua e no bairro onde vive são poucas as residências que beneficiam de água potável e os poucos que também têm água corrente foram ajudados por ele.

De acordo com o chefe de departamento da EPAL-EP para Redes no Kilamba Kiaxi, Buguanga Bussuco, a ligação que se fez na residência do senhor é ilegal, porque não se pode tirar água de condutas indutoras para abastecer residências.

As referidas condutas, explicou, levam água ao Centro de Distribuição do Golfe e o garimpo afecta a capacidade de fornecimento, deixando muitos munícipes sem água.

São avultados os prejuízos para a EPAL que se encontra, segundo o seu administrador executivo Pedro Sebastião, com dificuldades financeiras.

A Empresa Pública de Águas (EPAL-EP) tem pouca capacidade de produção e de abastecimento de água ao Kilamba Kiaxi, mas o garimpo de água no município também é favorecido por falta de uma legislação que tipifica esta prática como crime.

Os cidadãos detidos pela prática de garimpo são soltos depois do pagamento de uma multa, muitas vezes irrisória se comparada com os lucros que obtêm de um negócio onde pouco investem.

São muitas as artimanhas usadas pelos garimpeiros para esconder a infracção caso sejam abordados. Uns constroem os tanques dentro das residências, outros escondem a tubagem nas paredes e há ainda os que têm os quintais espaçosos e murros altos que possibilitam aos camiões cisternas serem abastecidos no interior sem deixar rasto.

Para salvaguardar o negócio, segundo o director municipal de Energia e Águas, Romeu Envelope, alguns Garimpeiros usam armas de fogo quando abordados por técnicos da Administração e como contou, numa missão na tentativa de deter um destes cidadãos, houve troca de tiros com agentes da polícia.

“O trabalho não tem sido fácil porque há áreas em que os garimpeiros são agressivos e muitas vezes tem a protecção de terceiros”, lamentou.

Os problemas da EPAL no município não se cingem ao garimpo, há também as roturas das tubagens e o desperdício de água.

Enquanto uns estão privados do precioso líquido e são obrigados a percorrer longas distâncias para adquirir água, outros a desperdiçam.

No bairro Nova Vida, por exemplo, muitos moradores deixam as torneiras abertas e além dos prejuízos para a EPAL causam danos no tapete asfáltico.

Nesta urbanização são vários os charcos de água por mau consumo, sem falar das roturas, que no princípio são pouco visíveis, mas por insuficiência de equipamentos por parte da EPAL tornam-se grandes crateras.

No Golfe II e no Calemba II, entre a rotunda e o Camama existem roturas, que se supõem que tenham sido causadas por garimpeiros na ânsia de adquirir água.

A EPAL, no Kilamba Kiaxi, vê-se também a braços como os “caloteiros” que se furtam a pagar pelos serviços. No entanto, alguns cidadãos afirmam que apesar de usufruírem dos serviços da EPAL de forma legal há anos, não pagam porque não tem contratos, já que as ligações foram feitas antes de qualquer relação contratual.

O administrador executivo da EPAL acredita que estes problemas serão ultrapassados com a implementação dos dois grandes projectos, o do Bita e o Kilonga, que aguardam por financiamento. (Angop)

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Notícias relacionadas

- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.