InicioMundoÁfricaJustiça marroquina condena jornalista à prisão por cobrir protestos

Justiça marroquina condena jornalista à prisão por cobrir protestos

A justiça marroquina condenou na quinta-feira o jornalista Hamid el-Mahdaoui a três anos de prisão, pela “não denúncia de uma tentativa de perturbar a segurança interna do Estado” na cobertura do movimento de protestos populares, designado Hirak.

“Não contesto o facto de ser julgado segundo o código penal, e não segundo o código de imprensa, mas quero que o julgamento seja justo e equitativo”, afirmou o jornalista, de 39 anos, no final das audiências que decorreram na câmara criminal do Tribunal de Apelo de Casablanca.

Este diretor do sítio de informação Badil tinha sido detido em julho na cidade de Al-Hoceima, no norte do país, quando cobria uma concentração do movimento Hirak, que agitou a província do Rif em 2016 e 2017.

El-Mahdaoui foi julgado por ter recebido uma chamada telefónica de um marroquino, residente nos Países Baixos, evocando “armas destinadas ao Hirak” e não ter alertado a polícia.

“Considerava-o um louco, um mentiroso, alguém que me procurava armadilhar. (…) Nunca o levei a sério”, defendeu-se El-Mahdaoui.

O jornalista foi julgado durante nove meses em Casablanca, ao lado de outros 53 detidos pela sua participação no movimento.

No início da semana, a justiça decidiu separar o seu dossier, com as partes civis representantes do Estado e os seus agentes a não pedirem a aplicação de sanções a El-Mahdaoui.

Os outros detidos, que boicotaram as últimas audiências, viram na noite de terça-feira, ser-lhes aplicadas penas de prisão de um a 20 anos, por “atentado à segurança do Estado”, “tentativas de sabotagem, assassínio e pilhagem”, “receção de fundos destinados a atividades de propaganda” ou ainda “participação na organização de manifestações proibidas”.

Conhecido pelas suas tomadas de posição críticas do poder, o diretor do sítio Badil era, por vezes, criticado por misturar jornalismo e militância.

As manifestações foram iniciadas em outubro de 2016, quando um vendedor de peixe morreu esmagado numa camioneta do lixo para onde a polícia tinha enviado o produto apreendido.

De acordo com os advogados que representam o Estado e seus agentes, a agitação social provocou mais de 600 feridos entre as forças policiais, que enviou um forte contingente para a região, e sete milhões de dirhams (cerca de 630.000 euros) de prejuízos materiais.

Segundo diversas associações, cerca de 450 pessoas foram detidas durante as manifestações, na generalidade pacíficas, mas por vezes assinaladas por confrontos entre as forças policiais e os manifestantes, com feridos dos dois lados.

Em outubro, o rei Mohammed VI admitiu que o modelo de desenvolvimento do seu país continuava a ser incapaz de “satisfazer as necessidades” dos marroquinos e despediu vários ministros e altos responsáveis pelos atrasos no programa de desenvolvimento local, lançado em 2015.

Os manifestantes reclamavam fábricas, um hospital e uma universidade para a região. (Notícias ao Minuto)

por Lusa

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