InicioAngolaSociedadeTeste do "bafómetro" afugenta clientes da Ilha de Luanda

Teste do “bafómetro” afugenta clientes da Ilha de Luanda

Vários restaurantes, discotecas e bares da Ilha do Cabo, em Luanda, queixam-se da perda de clientes devido às constantes operações “Stop” levadas a cabo pela Unidade de Trânsito do Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional, ao fim-de-semana, que têm como alvo os automobilistas que conduzem sob efeito de álcool.

Este facto foi constatado pelo NJOnline, que efectuou uma ronda pelos estabelecimentos comerciais nas noites de sexta, sábado e domingo, na Ilha de Luanda, e encontrou várias operações “Stop” logo à entrada da ilha.

Nelson Barros, gerente do restaurante Infinitus, na Ilha de Luanda, contou ao NJOnline que o movimento de clientes à noite é “desolador”.

“Os bares e restaurantes já não facturam à noite. Eu fui obrigado a criar uma estratégia para que os clientes possam estar à vontade. Uma delas foi arranjar alguém que transporte os clientes que estão sob efeito de álcool, levando-os aos seus destinos, porque o estabelecimento agora não factura como antes”, lamentou.

O gerente disse ainda que as pessoas optam por ir a outros sítios, onde não há operações, como estas, que deixam a Ilha às moscas.

“Há pessoas que dizem que é mais fácil ir para o Morro Bento, onde não há operações, do que vir para ilha, onde há sempre controlo policial”.

Nelson reconhece que o trabalho da polícia é essencial, mas lamenta a forma como os policiais actuam.

“A única coisa que condeno é como fazem e onde estão a fazer, porque a Ilha é um ponto turístico da cidade de Luanda. Onde a PN faz a operação não há nenhum tipo de escapatória e acaba por deixar morrer os estabelecimentos. Desde o início da operação, os clientes dizem que têm de sair mais cedo, isto é, entre as 21:00 22:00, porque, mais tarde, apanham a operação Stop”.

Leopoldo Porto Alegre, proprietário do bar Porto Alegre Bar, explicou ao NJOnline que o seu estabelecimento é para 80 pessoas, mas que nas últimas noites, desde o início das operações na Ilha de Luanda, tem tido menos de sete clientes.

“Realmente é sempre um risco conduzir sob efeito de álcool, mas as medidas estão a ser extremas, porque a operação está mesmo na entrada e na saída da ilha. Para mim, tinha de ser uma operação de prevenção e aconselhamento, não de apreensões e teste de bafómetro”, diz.

“Os agentes nem se dão ao trabalho de pedir documentação e dizem mesmo só querer os bêbados”, contou.

Leopoldo disse ainda que, “quando chegam à entrada da ilha e se deparam com a presença dos agentes reguladores de trânsito e agentes de ordem pública, os clientes começam a ligar para os amigos a avisá-los: “olha não vem para a ilha porque tem operação`”.

“Os restaurantes, à noite, estão às moscas, e isso tem sido todas as semanas. Porque é que que só nestas imediações é que há sempre operações e não no Jango Veleiro?”, perguntaram vários gestores de restaurantes e bares ouvidos no fim-de-semana pelo NJOnline.

Um cidadão estrangeiro que encontrámos a consumir bebidas alcoólicas junto a uma das rulotes, que não quis ser identificado, disse que o pessoal da discoteca D Clube é o que mais sofre “porque as operações estão mesmo ao pé da porta”.

Durante a ronda, pudemos verificar que muitas pessoas, sobretudo aquelas que têm a Ilha de Luanda como local preferencial de diversão, optam por ficar até às 6:00 da manhã para saírem, como os jovens Moy, Tomás, Álvaro e António Salvador, que preferem aguardar que amanheça para deixarem a ilha.

“Na ilha existem clientes habituais. Se fizessem a operação “Stop” à saída saída era compreensível, porque as pessoas têm amigos e podem passar a noite em casas destes ou de parentes, mas colocam logo à entrada, e muito cedo, situação que nos obriga a fechar às 22:00. Em situações normais nós fecharíamos às 4:00 da manhã”, disse Joaquim Mohongo, chefe de bar do restaurante Chill Out.

Também os proprietários de rulotes se sentem afectados com as constantes operações policiais levadas a cabo na Ilha de Luanda, porque, segundo contam, os clientes diminuem a cada semana que passa, situação que os obriga a fechar as rulotes antes das 22:00.

Tribunal de Luanda julga mais de 60 cidadãos por semana na sequência de operações “Stop”

Semanalmente, a Unidade de Trânsito remete ao tribunal provincial de Luanda, para julgamento sumário, mais de 60 cidadãos, entre nacionais e estrangeiros, detidos nas operações “Stop”, realizadas com maior regularidade aos fins-de-semana.

Depois de interpelados e lhes serem solicitados os documentos da viatura, pelos agentes da polícia em serviço, os automobilistas são submetidos a exame de alcoolemia, mais conhecido como o “teste do bafómetro”.

Se o resultado for de 0,6 gramas e inferior a 0,8 grama por litro de álcool no sangue, constitui infracção passível do pagamento de uma multa na Unidade de Trânsito.

Caso o resultado ultrapasse os 0,8 gramas por litro de sangue, é considerada infracção muito grave, e o automobilista é encaminhado para o tribunal, onde é julgado e condenado ao pagamento de multa.

Os valores das multas variam entre os 11 e 60 mil Kwanzas, em caso de o pagamento ser feito na Unidade de Trânsito, mas, nas situações em que a percentagem de álcool no sangue ultrapassa os 0,8 grama ou chegar a 2.2 gramas, as multas aplicadas em tribunal podem atingir os 200 mil Kwanzas, e a pena de prisão ser entre três e seis meses, com a proibição de conduzir.

É importante salientar que os dados do Ministério do Interior revelam que, em Angola, os acidentes de viação são a segunda causa de morte a seguir à malária, o que constitui ainda uma enorme preocupação para a Polícia, apesar da redução gradual do número de acidentes.

A condução sob o efeito do álcool é um dos principais motivos apontados pela polícia para a alta sinistralidade em Angola. (Novo Jornal Online)

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