InicioMundo LusófonoCabo VerdeMP de Cabo Verde abre instrução à morte de doente grávida

MP de Cabo Verde abre instrução à morte de doente grávida

O Ministério Público de Cabo Verde vai investigar a morte de uma doente grávida transferida de barco da Boavista para o Sal e a quem foi alegadamente recusado o transporte aéreo, anunciou hoje a Procuradoria-Geral da República.

Segundo o MP, em causa estão factos susceptíveis de indiciar a prática do crime de omissão de auxílio.

“O Ministério Público ordenou a abertura de instrução face a informações tornadas públicas, dando conta do falecimento de uma mulher grávida, residente na ilha da Boavista, que havia sido evacuada, em virtude do estado de saúde, e transportada numa embarcação para a ilha do Sal porque, alegadamente, não obstante a indicação médica para evacuação por via aérea, tal foi recusada”, adianta a PGR em comunicado.

A investigação decorre na comarca da Boavista, onde, segundo o comunicado da PGR, se encontram também em investigação “outros autos de instrução, registados na sequência da evacuação de um jovem e de uma gestante, no mesmo percurso e nas mesmas condições, em que o feto veio a ser considerado nado-morto”.

O Ministério Público, que será coadjuvado pela Polícia Judiciária, fixou o prazo de 60 dias para realização das diligências de investigação “que se mostrem necessárias e úteis para descoberta da verdade e esclarecimento dos factos”.

Em causa está a morte, no sábado, de uma jovem, grávida, que foi transferida da Boavista para o Sal, por via marítima, depois de, segundo versão de familiares, a companhia aérea Binter CV ter alegado não poder fazer o transporte devido à lotação do voo.

Recebida no Hospital Ramiro Figueira, na ilha do Sal, na madrugada de sexta-feira, a mulher, de 30 anos, que sofria de uma cardiopatia mitral, viria a morrer no sábado, depois de ter sido operada e da sua situação clínica se ter agravado, segundo comunicado da unidade hospitalar.

A companhia aérea rejeitou, em comunicado, quaisquer responsabilidades no caso e lembrou que a transferência de doentes entre ilhas é uma obrigação do Governo cabo-verdiano.

A morte da jovem é o terceiro caso, no espaço de pouco tempo, em que dificuldades no transporte de doentes por via aérea entre as ilhas cabo-verdianas tem levado à necessidade de fazer esse transporte por via marítima, uma opção mais demorada e, muitas vezes, em condições precárias.

No mês passado, outra grávida transferida da Boavista para o Sal de barco acabou por perder o bebé, enquanto um jovem baleado foi enviado para o Sal da mesma forma.

O caso está a gerar forte indignação social, com o Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, a pedir urgência para solução para o transporte de doentes entre ilhas.

O Governo cabo-verdiano anunciou a abertura de “um inquérito que deverá servir para apurar a verdade e o cabal esclarecimento da situação”. (Angop)

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