InicioDesportoFutebolSantos e Queiroz são amigos, mas futeboladas são à parte

Santos e Queiroz são amigos, mas futeboladas são à parte

Selecionador recuou 35 anos para lembrar as viagens de comboio com o técnico do Irão. Mas avisa que esta segunda-feira só quer ganhar

Irão e Portugal defrontam-se esta tarde (19.00) em Saransk, num jogo decisivo para o apuramento para os oitavos-de-final do Mundial 2018. As duas seleções têm hipóteses de se qualificarem, embora à equipa das quinas baste um empate.

Este será também um reencontro de velhos conhecidos, pois oito dos 23 jogadores portugueses presentes na Rússia trabalharam com Carlos Queiroz, atual selecionador do Irão, na equipa das quinas – Rui Patrício, Beto, Pepe, Bruno Alves, Manuel Fernandes, João Moutinho, Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma.

Esse facto foi devidamente assinalado por Queiroz na conferência de imprensa de ontem, na qual disse que “será um jogo com muitos amigos”, embora tenha feito questão de separar as águas: “Como dizemos na nossa terra, amigos amigos, futeboladas à parte.”

Só que provavelmente o maior amigo que Queiroz vai encontrar na partida de esta tarde é… Fernando Santos, o selecionador de Portugal, que confirmou essa longa relação, que já tinha sido contada pelo DN. “Carlos Queiroz é um amigo que conheço há 35 anos.

Conhecemo-nos quando ele era treinador [adjunto] e eu jogador do Estoril, ele dava aulas e eu era engenheiro, por isso não podíamos ir muitas vezes com a equipa e viajávamos os dois de comboio, o que nos permitia falar de futebol. É um amigo desde essa altura, mas amanhã [hoje] não vamos ser amigos… só após o jogo”, assumiu o treinador da equipa das quinas.

amanhã [hoje] não vamos ser amigos… só após o jogo

A mesma opinião foi expressa por Queiroz, que classificou o duelo entre Irão e Portugal como “aquelas peladas ao domingo”: “Cada um vai tentar ganhar o seu jogo porque essa é a nossa obrigação, por lealdade com os nossos adeptos e respeito pelo futebol.”

Só que o selecionador dos iranianos não se coibiu de chutar a pressão para o lado da seleção nacional, que classificou de “candidata poderosa a ganhar o Mundial”, deixando claro que Portugal “tem tudo a perder e o Irão não”. Pois bem, quem não gostou nada dessa tirada foi o amigo Fernando Santos, que de rosto fechado e com ar aborrecido respondeu: “Os dois têm a perder e a ganhar. Não percebo muito bem como se diz que o Irão não tem nada a perder. Se qualquer das equipas não passar aos oitavos-de-final, perde… Isso é um jogo que não conheço bem.”

“Os melhores bichos” de Santos

Fernando Santos conhece bem o sentimento que Carlos Queiroz terá quando, esta tarde, se sentar no banco de suplentes na Arena Mordovia como treinador do Irão para enfrentar Portugal. “Eu estive do outro lado, na seleção da Grécia, mas num jogo particular e quis ganhar. Não conta mais nada”, atirou. “Sei o que pensava quando estava do outro lado: queria ganhar”, sublinhou.

Ronaldo foi um tema inevitável nas conferências de imprensa dos dois selecionadores, com Carlos Queiroz a dizer que os jogadores iranianos “nem em sonhos pensavam jogar contra Cristiano e contra os grandes jogadores que Portugal tem”, garantindo que os sente “muito entusiasmados” para esta partida decisiva antes de dizer que o seu amigo Fernando Santos irá apresentar frente ao Irão “os bichos mais fortes”, que “podem morder a qualquer momento”.

Questionado sobre se CR7 poderá fazer a diferença frente aos iranianos, à semelhança daquilo que fez diante da Espanha (fez um hat trick) e de Marrocos (um golo), o selecionador nacional respondeu com o óbvio: “Faz, sim, mas em qualquer equipa.

Faz aqui, faz no Real Madrid, fez no Manchester United e faz no Sporting.” O facto de Carlos Queiroz poder ter uma fórmula para travar Ronaldo, por o conhecer muito bem, não tira o sono a Fernando Santos, que lembrou que conhece a estrela portuguesa “há mais tempo que Queiroz”.

“Conheço-o desde os 18 anos, quando o treinei no Sporting. Mas este jogo é entre Portugal e o Irão, não entre Cristiano Ronaldo e o Irão. São duas equipas fortíssimas, embora acredite que Portugal pode provar que é melhor”, finalizou o selecionador nacional.

Mas este jogo é entre Portugal e o Irão, não entre Cristiano Ronaldo e o Irão

Irão, a melhor equipa asiática

A verdade é que Carlos Queiroz e Fernando Santos mostraram um grande respeito para o encontro de hoje. O selecionador do Irão apelidou a equipa das quinas como “uma seleção fortíssima e bem orientada”, revelando que há três palavras-chave que norteiam a sua equipa: “Respeito, realismo e romantismo. Temos de basear o nosso jogo nos valores fundamentais do que é uma equipa, o espírito de sacrifício, trabalho, bravura, lealdade, comprometimento…”

Os alertas de Fernando Santos foram uma constante, classificando o Irão como “a melhor seleção asiática”, razão pela qual está à espera de “jogo muito duro”. E explicou porquê: “Observei todos os jogos do Irão na qualificação e fiquei com a certeza da qualidade da equipa, que só sofreu dois golos com a Síria.”

O técnico nacional diz tratar-se de “uma equipa muito organizada, experiente, com jogadores que jogam na Europa”, lembrando que “no Mundial demonstraram a sua grande capacidade com Marrocos e Espanha”, frente a quem “mostraram organização defensiva e boas saídas para o ataque”. (Diário de Notícias)

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