Notícias de Angola - Toda a informação sobre Angola, notícias, desporto, amizade, imóveis, mulher, saúde, classificados, auto, musica, videos, turismo, leilões, fotos

Joseph Kabila inviabiliza cimeira tripartida de Luanda

A ausência do Presidente Joseph Kabila inviabilizou a realização, no último domingo, de uma cimeira que em Luanda deveria juntar a ele e os presidentes de Angola, João Lourenço, e da República do Congo, Dennis Sassou Nguesso

Fonte familiarizada com este dossier disse a OPAÍS que Joseph Kabila cancelou a sua vinda a Luanda, o que levou o Presidente Sassou Nguesso a fazer o mesmo . Terça-feira, Joseph Kabila enviou um emissário à capital angolana, o qual apresentou às autoridades angolanas as razões do cancelamento da sua vinda .

A cimeira de Luanda enquadra- se nos esforços dos países da região no sentido de ajudarem a RDC a sair da crise. Recentemente, Kinshasa manifestou algum mal-estar em relação a um pronunciamento feito pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, no termo de uma audiência com o Presidente do Ruanda, Paul Kagame, que também ocupa a presidência da União Africana.

Macron recebeu Kagame a 23 de Maio, tendo dito, na altura, que levava em boa conta a iniciativa levada a cabo pela União Africana, a qual tinha Angola como âncora. Lambert Mende, porta-voz do Governo de Kinshasa, disse que as declarações de Macron tinham causado desconforto, ou, se quisermos, insatisfação.

O porta-voz de Kabila disse que o seu Governo não estava a acusar Macron de coisa alguma, mas estava preocupado com o que tinha sido tratado à porta fechada, entre ele e Paul Kagame, com cujo Governo, não se entende. “Ninguém deve projectar uma solução para nós sem a nossa presença”. Acrescentou que Kinshasa condenava aqueles que sentem nostalgia em relação ao poder colonial e promovem reuniões à porta-fechada para conspirarem contra a nossa soberania”. Dois dias depois, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da RDC convocou os embaixadores de Angola na RDC e do Ruanda.

A convocatória do embaixador de Angola, José João Manuel “Jota” está associada não só ao que Macron disse na audiência com Kagame, assim como pelo facto de o Presidente João Lourenço se ter encontrado, na altura, a caminho de Paris. Numa declaração que fez na capital francesa a 29 de Maio, João Lourenço disse que Angola e o Ruanda têm conversado sobre a situação na RDC e a importância do cumprimento do acordo de São Silvestre, o qual contempla a saída de Kabila tão logo seja conhecido o vencedor das eleições agora marcadas para 23 de Dezembro próximo. “As conversas havidas entre o Presidente Kagame e o Presidente Macron não foram feitas às escondidas.

São questões tratadas nas cimeiras em que nós nos encontramos e a única matéria que nós tratamos sobre a RDC, não é nenhuma conspiração. Antes pelo contrário, é a necessidade de levar o Presidente Kabila a respeitar os acordos de São Silvestre. Nessa altura já estava prevista a deslocação a Luanda de Joseph Kabila, e que deveria ter tido lugar no último fim-de-semana.

Incumprimentos atribuídos na sua maioria ao partido governamental e ao Presidente Kabila, resultaram na realização de eleições, primeiro previstas para 2017 e na implementação de fases do acordo que deverão desembocar nas eleições de Dezembro próximo. Em resultado disso, assistiu-se a uma agudização da crise na RDC, consubstanciada na eclosão de conflitos no Kasai Central e na ocorrência de repetidas manifestações em Kinshasa e noutras cidades do país.

Fontes diplomáticas em Kinshasa, Luanda, Paris e Bruxelas referem que Kinshasa começou a tergiversar ainda mais após o Tribunal Penal Internacional ter absolvido e ordenado a libertação do antigo líder rebelde, Jean-Pierre Bemba (JPB). Condenado em primeira instância por crimes de guerra e contra a humanidade alegadamente cometidos na RCA, JPB, viu-se restituído à liberdade após a secção de recurso ter concluído que os “erros cometidos pela primeira instância removeram completamente a sua responsabilidade penal”.

Detido há 10 anos em Haia, JPB cumpria uma pena de 18 anos de prisão. A preocupação de Kinshasa prende-se com uma alegada “conexão lusófona”, pois Jean- Pierre Bemba é casado com uma portuguesa, cujo governo em 2007 interveio para a sua saída da capital da RDC em segurança, após o acordo que fazia dele vice-presidente de Joseph Kabila. (O País)

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está bem com isso, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia mais

Translate »