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Irão cancela transmissão do jogo com Espanha em estádio de Teerão devido à presença de mulheres

As autoridades iranianas cancelaram a transmissão do jogo Irão-Espanha no estádio Azadí, em Teerão, devido à presença de mulheres. “Problemas de infraestrutura” foi a justificação oficial para o cancelamento, avançada ontem, mas as pressões dos ultraconservadores sobre o governo moderado de Hassan Rohani terão estado na origem das alterações ao programa de transmissões de jogos do Mundial da Rússia na capital iraniana.

“A retransmissão da partida entre Irão e Espanha no estádio Azadí será cancelada”, noticiou a agência Tasnim, com ligações à Guarda Revolucionária.

As mulheres iranianas estão impedidas de entrar em estádios para ver jogos de futebol masculinos desde a revolução de 1979 que levou à mudança de regime. A pressão dos ativistas de direitos humanos, que aproveitaram a aproximação do Mundial para chamar a atenção para as regras severas e discriminatórias a que estão sujeitas as mulheres no Irão, não estão a surtir o efeito desejado.

#NoBan4Women
Maryam Qashqaei Shojaei, ativista pelos direitos das mulheres, foi impedida de entrar no estádio em Kazan, onde decorreu o jogo, que terminou com a vitória espanhola por 1-0. A iraniana pretendia exibir uma faixa durante o Irão-Espanha a alertar para o problema da segregação sexual.

“Quando estava a entrar, os seguranças disseram-me que não podia passar com a faixa”, relatou Maryam Shojaei à agência Reuters.

“Revistaram-me, fiquei retida durante duas horas e ficaram com a faixa”, acrescentou.

Anton Lisin, porta-voz do comité local para a organização do Mundial, disse que estava a par da situação, mas que não sabia os detalhes do incidente.

Shojaei foi notícia durante o primeiro jogo do Irão frente a Marrocos, na passada sexta-feira, quando exibiu um cartaz onde se lia: “Ajudem as mulheres iranianas a entrarem nos estádios #NoBan4Women”.

Antes do início do Campeonato do Mundo, a decorrer na Rússia até 15 de julho, Shojaei lançou uma petição online dirigida ao Presidente da FIFA, Gianni Infantino, para que exerça pressão sobre o regime iraniano e acabe com a discriminação das mulheres nos estádios.

Masoud Shojaei, capitão da seleção iraniana, defendeu esta terça-feira que o Mundial não é o local adequado para debater estas questões, embora anteriormente tivesse apoiado a luta das mulheres, divulgou a imprensa iraniana. (Sic Notícias)

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