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Vinte mortes por anemia falciforme na pediatria do Lubango

Vinte crianças e adolescentes, das 697 que padecem de anemia falciforme atendidas pelo Hospital Pediátrico do Lubango “Pioneiro Zeca” morreram, de 2011 até o presente data, sendo que maior parte dos óbitos, os doentes ocorreram a unidade sanitária num estado crítico, antecedido de tratamentos impróprios.

A informação foi avançada à imprensa, terça-feira, no Lubango pela directora clínica da unidade sanitária, Mariana Miguel, a margem da semana da consciencialização da Anemia Falciforme, que decorre de 19 a 23 do mês em curso, referindo terem um total de 677 crianças e adolescentes dos seis meses de vida aos 20 anos a fazerem o acompanhamento da doença desde 2011, altura em que o hospital passou a contar com esse serviço.

A também médica hematologista alertou que em qualquer situação, se a criança aparece com anemia grave ou palidez, olhos amarelos, a barriga inflamada, dor a nível dos membros, no peito ou ainda apanhar trombose, os seus familiares devem recorrer ao hospital para fazer a consulta, que inclui o teste de falciformação a partir dos seis meses de vida da criança ou o teste do pezinho a partir do terceiro dia de vida.

Acrescentou que muitas vezes, os familiares fazem o “diagnóstico” errado da patologia com outras doenças, pelos sinais semelhantes a de hepatite (olhos amarelos), podendo levar a um tratamento incorrecto, que vai intoxicando o menor, agravando o seu quadro, caso não for tratado a tempo.

Explicou que não existem restrições alimentares para casos do género, mas são crianças que têm de ter uma alimentação rica em ácido fólico e ferro, não podendo apanhar frio, pois quando apanham podem desencadear crises, porque a doença facilita a absorção de infecções.

Fez saber que a unidade, por ser a única com o serviço na Huíla, têm recebido crianças dos 14 municípios da província para fazerem o acompanhamento, assim como do Namibe e Cuando Cubango, contando para isso com pessoal “qualificado”.

Frisou que tiveram negociações com o Hospital Central do Lubango e encaminharam doentes a partir dos 14 anos para à mesma unidade, mas não foram bem sucedidos e os pacientes voltaram e fazer o acompanhamento até aos 20 anos, “o grande problema da pediatria é o tamanho das camas, não temos para adolescentes, só para consulta normal, para aqueles doentes com crises temos internado aqui, nestas condições.

Para o bebé ter a doença, salientou que os pais têm de ser portadores da mesma, são pessoas saudáveis, mas têm o seu código genético a doença. Quando apenas um dos progenitores é detentor da doença, o filho pode ser portador ou não.

Dia Mundial da Consciencialização sobre a Doença Falciforme, 19 de Junho, foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o objectivo de dar visibilidade e reduzir as taxas de morbidade e mortalidade da doença.

A anemia falciforme, também chamada de drepanocitose, é uma doença hereditária, caracterizada por uma anomalia ou má formação da hemoglobina, onde se regista uma alteração dos glóbulos vermelhos do sangue. Com a membrana alterada, as células rompem-se mais rapidamente, provocando anemia e um deficiente transporte de oxigénio. (Angop)

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