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Jihadista do Mali acusado de crimes de guerra é entregue ao TPI

Um extremista islâmico do Mali acusado de cometer crimes contra a humanidade e crimes de guerra em 2012 e 2013 em Timbuktu foi entregue neste sábado ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

“O Sr. Al Hasan Ag Abdul Aziz Ag Mohamed Ag Mahmoud ( ‘Al Hasan’) foi entregue ao TPI pelas autoridades do Mali”, onde é “suspeito de ter cometido actos de tortura, estupro e assédio”, indicou em comunicado o tribunal com sede em Haia.

Al Hasan chegou neste sábado à penitenciária do TPI, que na terça-feira emitiu um mandado de prisão contra ele por crimes cometidos durante o conflito armado que começou em Janeiro de 2012 no Mali.

Al Hasan é acusado de ser “responsável de crimes contra a humanidade, assédio por motivos religiosos ou sexista, estupro e escravidão sexual cometidos no contexto de casamentos forçados, tortura e outros actos desumanos”, segundo a promotora do tribunal internacional, Fatou Bensouda.

O maliano de 41 anos foi supostamente membros do grupo Ansar Dine e comissário da polícia islâmica em Timbuktu. Acredita-se que participou na destruição dos mausoléus dos santos muçulmanos naquela cidade.

“As acusações contra ele são um sinal da criminalidade e assédio sofridos pela população” no Mali, disse Bensouda.

Em uma decisão histórica, o TPI condenou em 2016 a nove anos de prisão um primeiro jihadista maliano, Ahmad al Faqi al Mahdi, pela destruição dos mausoléus de Timbuktu em 2012, quando grupos extremistas tomaram o norte do Mali.

Essa decisão sem precedentes do único tribunal permanente que julga crimes de guerra no mundo foi então considerada uma advertência: a destruição do património mundial não ficaria impune.

Segundo o TPI, tribunal criado em 2002 para julgar os piores crimes perpetrados em todo o mundo, foi Al Mahdi quem liderou os ataques contra os mausoléus de Timbuktu, inscritos na lista de património mundial da Unesco.

Fundada entre os séculos V e XII por tribos tuaregues, Timbuktu é apelidada de “a cidade dos 333 santos” devido ao grande número de eruditos muçulmanos enterrados lá.

Seguindo as ordens de Al Mahdi, os jihadistas demoliram os santuários construídos há vários séculos com a ajuda de escavadeiras.

Após a condenação de Al Mahdi, o primeiro jihadista que se sentou no banco dos réus ​​do TPI, a prisão de outro jihadista maliano abre uma nova etapa.

“A prisão de Al Hasan e sua transferência para o TPI enviam um sinal forte para todos aqueles que, onde quer que estejam, cometem crimes que prejudicam a consciência humana”, declarou Bensouda.

“Espero que [isso] convença Mali de nossa determinação em agir adequadamente e fazer tudo o que pudermos para responder ao sofrimento indescritível infligido à população do Mali”, acrescentou. (Afp)

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