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Brasil recusa convite da ONU para integrar missões de paz na RCA e RDC

O governo brasileiro recusou o pedido da ONU para o envio de tropas para as missões de paz na República Centro-Africana e na República Democrática do Congo, devido à restrições financeiras, de acordo com o site de notícias UOL, que cita um comunicado do Ministério local da Defesa.

O UOL apurou que a recusa aconteceu devido a restrições financeiras. A missão na República Centro-Africana, cuja negociação estava mais avançada, foi orçada em R$ 400 milhões no primeiro ano.

A ONU havia pedido em Novembro do ano passado 750 militares para conter uma onda de assassinatos em massa em campos de refugiados da República Centro-Africana. As mortes estão a ser causadas por conflitos entre combatentes muçulmanos ex-Seleka e cristãos Anti-Balaka.

A missão de paz da ONU no país conta maioritariamente com tropas africanas, carentes de recursos e treinamento, que não têm conseguido conter a violência. O Brasil é visto pela ONU como um país experiente na área, devido à participação em diversas missões no passado, principalmente no Haiti.

O presidente Michel Temer havia afirmado em Janeiro que era “muito provável” que o pedido seria atendido. Pelo menos duas missões de reconhecimento com militares brasileiros foram enviadas ao país, e tropas do Exército e da Marinha começaram a ser treinadas para a operação.

Uma missão na República Centro-Africana era vista como uma possibilidade de o Brasil se destacar em meio a outras nações e acumular prestígio político internacional para o Brasil.

A missão de paz na República Democrática do Congo também foi cogitada. Uma parte importante dessa missão – a Brigada de Intervenção, a primeira tropa de carácter ofensivo da ONU – foi comandada pelo general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz entre 2014 e 2016 (hoje secretário executivo do Ministério da Segurança Pública do Brasil) mas, fora ele e uma pequena equipa, não foram enviados contingentes brasileiros de tropas.

Mas a avaliação do governo na época foi que o nível de perigo era muito alto e o Brasil teria menos condições de se destacar no trabalho de pacificação na RDCongo em comparação com o cenário na República Centro-Africana.

As Forças Armadas brasileiras estavam divididas sobre a participação numa nova missão de paz, segundo o UOL.

Os defensores da ideia argumentaram que a ONU havia aberto espaço para o crescimento da importância do Brasil no cenário geopolítico internacional e o país perdeu a oportunidade, o que pode não se repetir.

A possibilidade de continuar o treinamento de tropas em operações conjuntas com forças de outros países também foi um argumento utilizado. Essa ala de militares recebeu a notícia do cancelamento com grande frustração.

O grupo contrário dizia que era preciso primeiro “arrumar a casa” antes de partir para uma nova acção internacional. Com o início da intervenção federal no Rio e as restrições orçamentárias, essa ala acabou sendo atendida pela decisão do governo.

O Ministério brasileiro da Defesa não descartou, porém, a possibilidade de participação em outras eventuais missões de paz no futuro.

De acordo com o mesmo Ministério, “O Brasil permanece com o seu compromisso internacional de colaborar com a paz mundial, mantendo aberto o diálogo com a ONU e permanecendo em condições de contribuir, no futuro, para outras missões de manutenção de paz”. (Angop)

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