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Administração de Viana volta a demolir casas no Zango, ignorando ofício do Gadahki

Cerca de 30 residências, entre construções acabadas e não acabadas, foram demolidas na terça-feira, 16, no bairro Kitondo II, no distrito do Zango III, em Viana, pela administração municipal local, deixando dezenas de famílias ao relento. Os moradores acusam a administração de Viana de usurpação do terreno para fins privados, numa altura em que o Gadahki confirma a existência de utilização da identidade de terceiros para ocupação do mesmo terreno, tendo emitido um ofício que determina a suspensão da demolição.

Fernando Binge, administrador adjunto para área técnica da administração municipal de Viana, disse, em Fevereiro último, ao Novo Jornal Online, que foi emitido um mandato de demolição no espaço de 1 hectare reivindicado por Alice dos Santos Neves, reconhecida pelo Estado como a proprietário legítima do terreno, justificação que os moradores não aceitam.

“Ninguém conhece esta senhora a quem a administração municipal de Viana atribui a titularidade do espaço”, contaram os visados que viram suas casas deitadas abaixo na tarde desta terça-feira, por fiscais da administração de Viana.

“Voltaram a notificar-nos no princípio deste mês, fomos ao Gadahki e tivemos acesso ao processo da Sr.ª Alice Neves onde constava um Bilhete falso e dois B.I. com os mesmos dados, mas a cara totalmente diferente” contou um morador que não quis ser identificado.

“O Gadahki confirmou a titularidade do espaço de 1 hectare em nome da dona Alice, nós emitimos um mandato de demolição apenas para o espaço reivindicado por ela, que foi a única que fez a exposição à administração municipal de Viana a pedir apoio no sentido de se repor a legalidade relativamente ao seu espaço que foi ocupado ilegalmente por pessoas estranhas”, disse Fernando Binge, administrador adjunto para a área técnica da administração municipal de Viana.

Entretanto, o Novo Jornal Online teve acesso ao ofício revogado pelo Gadahki no dia 09 de Abril desde ano.

“Na sequência emitimos o N/ oficio nº 67/D.G 017 de 25 de Outubro confirmando a autenticidade da declaração passada em nome de Alice Paula dos Santos Neves”.

“No entanto, existem fortes indícios da utilização indevida da identidade da Sr.ª Alice Paula dos Santos Neves por terceiros para ocupação e/ ou usurpação de terrenos alheios”.

“Estando a decorrer averiguação relativamente ao assunto, e enquanto perdurar vimos por meio desta revogar o nosso ofício acima aludido bem como suspensão da notificação da demolição datada de 16 de Novembro de 2017”, refere o documento do Gadahki.

De referir que o ofício a que tivemos acesso solicita à Administração Municipal de Viana que encaminhe a Sr.ª Alice Neves ao gabinete do Gadahki a fim de tratar este assunto, coisa que não chegou a acontecer, segundo apurou o Novo Jornal Online, junto de fonte do único órgão responsável por terras a nível Zango e Kikuxi.

O drama da demolição de terça-feira

“Eu tenho uma casa de dois quartos e sala e estava em casa quando, de repente, vimos carros da fiscalização e polícias a partirem as casas, eu e minhas família subimos no telhado da casa para impedir que demolissem a nossa habitação, mas fomos arrancadas a porretes pelos agentes da polícia”, contou Marta Cabral, mãe de seis filhos que agora está a viver na rua.

Luísa Pedro, moradora há mais de 4 anos, contou que recebeu um telefonema dos filhos, que a alertaram.

“Onde vou morar? Não tenho cinco milhões de kz para comprar uma casa, estamos a começar a construir o que é nosso e, sem mas nem menos, aparece o Estado a partir as nossas casas. Se o João Lourenço veio para melhorar, então não está a melhorar, porque ainda vivemos num país em guerra onde as pessoas não têm paz”, disse.

“O Zango agora é sítio de negócio onde quem tem dinheiro quer construir casas dirigidas para vender e nós, que construímos as nossas casas com sacrifícios, somos desalojados como se fossemos lixo, que país é este?”, questiona Joana Joaquim, moradora há oito anos.

Joaquim Domingos Marcos disse que perdeu a sua casa por má-fé das autoridades locais a quem chama “usurpadores e malfeitores”.

“Eu fui à administração na sexta-feira porque me deixaram uma notificação de embargo de obra. Compareci, paguei 120.000 kz, e autorizaram-me a continuar com a construção da minha obra”, conta, acrescentando: “Não percebo como é que a administração me autorizou a continuar com a obra da minha casa ontem, e hoje vem demolir a mesma obra? Onde estamos afinal?”, lamentou.

Entretanto, os moradores acusam ainda a administração municipal de Viana de demolir dois hectares de terreno onde restam quatro residências, ao invés de um hectare, como foi anunciado pela administração municipal, e solicitam a ajuda dos órgãos competentes.

O Novo Jornal Online tentou falar com o administrador adjunto para a área técnica da administração municipal de Viana, Fernando Binge, para o devido pronunciamento, mas não obteve resposta. (Novo Jornal Online)

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