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Espécies angolanas ganham notoriedade no National Geographic

Vinte e quatro potenciais novas espécies de animais identificadas no Cubango-Okavango, sudeste de Angola, podem ganhar notoriedade mundial, em consequência do filme Into the Okavango, lançado no domingo, em Nova Iorque (EUA), pela National Geographic (NG) Society.

O trabalho que resultou num filme de duas horas e 47 minutos e que deverá ser visto por mais de 700 milhões de telespectadores no mundo, é o culminar de jornadas de equipas de pesquisadores da produtora norte-americana na região.

No documentário, cujo lançamento foi prestigiado pelas ministras da Hotelaria e Turismo, Ângela Bragança, e do Ambiente, Paula Coelho, o NG espelha a biodiversidade e o modo de vida da população que vive ao longo dos rios Cuito, Cuanavale e Cubango.

Durante 120 dias, período que o filme retrata, especialistas do NG tomaram contacto directo com a fauna e flora dos rios Cuito Cuanavale e Cubango, inseridos no projecto de conservação ambiental de Okavango-Zambeze (Zaza).

Trata-se do primeiro filme totalmente produzido com financiamento milionário, sem recurso a financiamento externo, nos últimos 15 anos, afirmou o líder da expedição e produtor Steve Boyes.

Investimos dois milhões de dólares para que o mundo perceba o potencial do ecossistema de Angola, disse.

A bióloga angolana Adjany Costa, integrante da expedição, afirmou terem sido descobertas 34 novas espécies, o que significa que ainda há muito por conhecer do país.

Das 34 espécies descobertas, 24 são potencialmente novas para a ciência, o que na óptica da bióloga é extraordinário para a biodiversidade.

O projecto Zaza é integrado por Angola, Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe e apresenta, devido às suas características, uma das maiores potencialidades no âmbito da conservação e protecção da vida selvagem, flora e fauna, mas também na atracção de turismo a esta parte de África.

Das dezenas de espécies capturadas em imagens pelas câmaras espalhadas pela área angolana, o parque onde convergem os cinco países, salientam-se os elefantes, leões, hienas, leopardos, múltiplas espécies de herbívoros e répteis.

O projecto destinam-se essencialmente a permitir, aos cientistas, obterem uma imagem mais clara da realidade de áreas pouco estudadas e onde pior se conhece a vida selvagem, quer em número de espécies quer em quantidade de indivíduos, ficando, desta forma, com uma ideia mais informada da realidade.

O interesse pela parte angolana da Zaza se deve ao facto de ser a que menos era conhecida das cinco nacionalidades que integram este território protegido, informou à imprensa o líder da expedição Steve Boyes.

As origens

As origens deste projecto transfronteiriço remontam a 1993, quando os cinco países se organizaram de forma a tirarem proveito do potencial turístico da região, enquanto santuário de vida selvagem, enquadrado pelas bacias hidrográficas do Okavango e Zambeze, ligando cerca de 250 mil quilómetros quadrados e tendo no seu interior uma das maiores reservas de água doce do mundo.

Alberga ainda a maior população de elefantes a nível mundial, estimados em 250 mil e ali são ainda relativamente comuns algumas espécies raras no mundo, como a chita, o rinoceronte preto, o cão selvagem africano, o antílope negro africano e o antílope ruano, puku, oribi, texugo, grou-carunculado e grifo do cabo.

Este parque transfronteiriço é, em área, o maior destino turístico mundial e integra atracções conhecidas mundialmente, como as Quedas de Victoria Falls, Zimbabwe, o Delta do Okavango, Botswana, o Parque de Bwabwata, Namíbia, o Parque de Kafue, Zâmbia, e o Parque de Luengue-Luiana, em Angola. (Angop)

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