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Crise síria aumenta risco de conflito entre EUA e Rússia

As ameaças do presidente Donald Trump de atacar a Síria após o suposto uso de arma química por parte do regime em Damasco colocaram Estados Unidos e Rússia diante do mais elevado risco de conflito desde a Guerra Fria.

O embaixador da Rússia junto à ONU, Vassily Nebenzia, declarou nesta quinta-feira, após uma reunião reservada do Conselho de Segurança, que a “prioridade imediata é afastar o risco de uma guerra”.

Ao ser consultado se falava de uma guerra entre Estados Unidos e Rússia, o diplomata declarou: “lamentavelmente não posso excluir qualquer possibilidade”.

A já difícil relação bilateral entre Estados Unidos e Rússia se agravou em razão do conflito na Síria, onde Washington e Moscovo se aliaram a forças antagónicas.

A tensão se agravou após o suposto ataque com arma química no sábado passado contra o enclave rebelde de Duma, na região de Damasco.

Trump reagiu com ameaças de ataques a posições do regime sírio, e a Rússia respondeu que qualquer míssil americano lançado contra a Síria será interceptado e destruído.

Na quarta-feira, quando as forças sírias e russas tomavam posição na região de Duma, Trump voltou a ameaçar com um ataque de mísseis.

Há exatamente um ano, os Estado Unidos lançaram mísseis contra uma base aérea síria, mas as tropas russas foram alertadas previamente e se afastaram do complexo militar, que foi rapidamente reparado.

Neste quadro de crescente tensão, os militares russos têm formulado declarações agressivas, mas o presidente Vladimir Putin e seu governo adotam uma posição mais cautelosa, limitando-se a exigir prova da responsabilidade do líder sírio, Bashar al Assad, no ataque químico.

“A grande preocupação é sempre um eventual erro, as consequências inesperadas”, disse Boris Zilberman, da Fundação para a Defesa das Democracias.

No final de semana, caças israelitas atacaram tropas iranianas no território sírio, o que complica ainda mais a situação.

Mas para a Rússia, o critério essencial de intervenção deve ser a segurança de suas tropas na Síria, que estão ao lado de forças do regime e combatentes iranianos em diversas regiões do país.

Boris Toucas, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, avalia que “nenhum dos protagonistas tem interesse em um confronto direto”.

A eventual resposta de Trump, de qualquer forma, já permitiu o tempo necessário à Rússia para reorganizar suas tropas e afastá-las de possíveis alvos do ataque americano.

Segundo diversos relatos, as forças do regime estão se reunindo em torno das bases russas exatamente para ficar a salvo do eventual ataque.

Paralelamente, Putin pode se ver forçado a proteger sua liderança na aliança com o Síria e Irã. “Tem que parecer duro, dar a impressão de que não deixará passar isto”, disse Zilberman.

“Para seu público interno, deve mostrar que não se deixará atropelar por Israel, Estados Unidos, França ou qualquer outro”.

O redemoinho permanente que parece atingir a administração Trump é outro agravante. “A confusão é um elemento problemático, de incerteza, no momento em que a ordem internacional posterior à Guerra Fria está se erodindo rapidamente”, apontou Toucas (AFP)

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