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O Portal de Angola e a Sociedade de Informação

“As sociedades contemporâneas são atravessadas por inúmeras mudanças, sendo relevante a que se prende com as novas tecnologias, o que levou alguns autores a defender a existência de um novo paradigma de Sociedade baseada, essencialmente, na Informação, daí a designação de Sociedade de Informação (ou Sociedade do Conhecimento na medida em que a informação é um meio de produção/divulgação de Conhecimento). Este novo modelo de sociedade assenta em novos quadros de desenvolvimento económico, social e cultural decorrente do processo de globalização, o qual respeita à forma como os países estabelecem as suas relações (quer sejam de natureza económica, política, social e/ou cultural).” A afirmação é da investigadora Ana Maria Antunes quando em 2008 no âmbito da Unidade curricular de Fontes de Informação Sociológica defendeu um trabalho sobre a Sociedade de Informação na Faculdade de Economia de Coimbra. Efectivamente as mutações na Sociedade de Informação Global ocorrem a uma velocidade tão rápida que não há tempo humano real para absorver, ler e reflectir tudo que a Internet e outras fontes de informação oferecem-nos para consumir. Do mesmo modo que escolhemos determinado tipo de livros ou optamos por determinado género de filmes ou até opções culinárias que fazemos ao longo da nossa vida, a Internet e as novas Tecnologias de Informação permitem-nos também fazer escolhas dos sites ou portais de informação que consultamos e que se tornam ferramentas de consulta para informação e para estudo. Perguntará o leitor e cibernauta: Mas será necessária recorrer a outras reflexões de outros autores ou investigadores para abordarmos um tema ou falar de um Portal que está na lista dos indicados para um Prémio na área da Comunicação e dos Recursos Humanos? É verdade. Muitas vezes, para além do nosso próprio olhar sobre determinado tema, é importante auscultar e ler outras visões e comecei este artigo precisamente por este pensamento da Investigadora Ana Maria Antunes pela sua visão e abordagem à Sociedade de Informação e Comunicação. O Portal de Angola, fundado há 7 anos pelo Gestor angolano Jorge dos Santos Monteiro teve a particularidade de ir evoluindo quer no modo de concepção do Portal, quer na forma porque optou em termos de conteúdos de levar aos leitores/cibernautas o seu olhar sobre este mundo diverso que é a Internet. A Internet como suporte de consulta e difusão de múltipla informação constitui inquestionavelmente uma auto-estrada de informação muito rápida e larga e que nos conduz a vários territórios de conhecimento. Tal como existem bons e maus livros, a Internet tem um mundo de escolhas. Boas e más. No quadro destas opções, o bom senso remete-nos para as boas escolhas. Um júri com sede em Londres decidiu indicar o Portal de Angola como um dos sites nomeados de Excelência em África e por essa razão, este artigo para reflectir um pouco sem qualquer crítica a qualquer outro site produzido em África ou em Angola em particular. A sã concorrência é crucial e acaba por enquadrar-se numa lógica de Desenvolvimento Humano que permite a médio e longo prazo uma aposta necessária face às mutações da Sociedade de Informação e do Conhecimento.

Nesse mesmo artigo e defesa de trabalho académico, a investigadora portuguesa Ana Maria Antunes, defendeu e cito que “ao longo da história, o Homem tem procurado criar inúmeros meios para comunicar, melhorando, desta forma, os seus padrões de vida. Mas, se por um lado tais criações representam uma melhor qualidade de vida, por outro, figura um cenário controverso que a destrói. Sociedade da informação e sociedade do conhecimento são, por vezes, usadas com a mesma conotação. No entanto, há quem considere que a sociedade do conhecimento possa estar mais relacionada com a vertente económica”, mas a História e as mudanças e novos ventos do mundo mostram-nos a vários níveis outras realidades. E a realidade está ligada à forma como os cidadãos vão participando no desenvolvimento da Sociedade em que vivem, mas também pelo olhar que vão tendo face ao mundo que os circunda. A pertença a um lugar, não anula outro olhar sobre realidade do mundo perante um ou mais circunstâncias. Por isso tanto se fala de globalização.

Como disse a Investigadora brasileira Barbara Coelho Neves, docente no Departamento de Ciência e Tecnologia do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos da Universidade Federal da Bahia, no Brasil, ” a participação dos cidadãos, também conhecida como participação social, participação popular, participação democrática, participação comunitária, entre os muitos termos atualmente utilizados para referir-se à prática de inclusão dos cidadãos e das organizações da sociedade civil (OSC) no processo decisório (Milani, 2006), tem sido preocupação das políticas públicas. A participação quando pensada no âmbito da universalização da informação é denominada de política de informação. O Programa Sociedade da Informação é uma ação formulada por políticas governamentais e organizacionais voltadas à informação, destinado à inclusão digital e de infraestrutura para disseminação de informação e conteúdos digitais. Como prérequisito para implementação desta Sociedade, a participação do cidadão é essencial, “[…] motivada pela expansão do efeito multiplicador da produção da informação, pela tomada de decisões autônomas em grupo e por evitar-se a tendência a uma sociedade administrativamente centralizada” (Marciano, 2006: 43-44). A difusão social das tecnologias de informação e comunicação (TIC) é uma preocupação que vem se intensificando ao longo dos anos. Embora, com todo “ceticismo e as múltiplas críticas enfrentadas há mais de uma década, atualmente se aceita que as TIC estão produzindo uma profunda revolução tecnológica, comparável às suscitadas pela escrita, a imprensa ou a industrialização” (Echeverría, 2008: 172). Tal evolução tem gerado nos países comoções varias como a produção de planos, metodologias e projetos, procurando seguir as linhas de ações propostas pelos macros organismos, a exemplo da ONU. Tendo em vista a inserção dos indivíduos no contexto da sociedade da informação, surge a formulação de instrumentos das políticas públicas ligadas à democratização da informação, a exemplo do governo eletrônico e da inclusão digital”. De facto a democratização da informação e um alargamento da estratégias no domínio das políticas públicas sobre a participação mais plural dos cidadãos, vai permitir um acesso mais útil ao progresso e a um desenvolvimento sustentado da Sociedade em geral. No panorama angolano, apesar da diversidade de jornais e rádio, um Canal público e outro privado, a existência também do Portal de Angola a par de outros portais e sites de informação cria o acesso à diferenciação, que é útil e necessária numa Sociedade que se quer mais humanizada, plural, tolerante e com respeito pela liberdade de informação e de opinião.

Nesse sentido a investigadora brasileira Barbara Coelho Neves referiu neste estudo sobre a análise “Políticas de Informação, do Global ao Local” e citando a autora, que o mesmo ” visou uma análise do Programa Sociedade da Informação, focando-o polêmico e popular mecanismo de políticas públicas ligadas à informação – a inclusão digital. Para entendimento e análise deste fenômeno, observou-se o Programa no contexto global (mundo), regional (América Latina), nacional (Brasil) e um exemplo do local (Bahia), procurando fazer uma contextualização histórica (de sua implementação aos dias atuais). A metodologia de análise baseou-se nas informações disponibilizadas em sítios, observatórios e mapeamentos relacionados ao Programa; e nas notícias veiculadas no respectivo período, procurando convergir com a literatura produzida de cunho governamental e científico”.

Para Barbara Coelho Neves, docente universitária na Universidade Federal do Brasil e referindo-se às ” Políticas Públicas e de Informação no contexto do Estado Globalizado “, referiu e cito que ” há três premissas a serem consideradas: a aldeia global versus idéia de global – de um lado o fluxo da informação dominante, determinando as identidades locais, do outro, um fluxo dinâmico entre o global e o local sendo que um interfere no outro gerando identidades múltiplas; A nova ordem interfere nas políticas de informação; e a dificuldade de dominar o fluxo de informação por parte do Estado. Observa-se que o contexto de globalização converge com as interferências do Estado na sociedade. Antes de adentrar nas questões de mundialização e tecnologia – que culminaram no desenho atual de interação política entre Estado, fluxo de informação e sociedade – faz-se adequado evocar algumas definições acerca do termo políticas públicas”. O Portal de Angola nos seus 7 anos de existência tem procurado essa interacção, com a existência de um canal de Rádio e Tv agregando informação do mundo da mais diversificada possível, à informação local e regional em domínios tão variados que o leitor pode em função das secções temáticas do mesmo, optar pelas leituras que escolher até à possibilidade de comentar as notícias editadas ou as entrevistas publicadas. É claramente um conceito de participação democrática e livre e um exercício de cidadania responsável, sem o recurso ao insulto, como em muitos portais ou sites se verifica. É na diversidade e no respeito pela opinião de cada um que uma Sociedade evolui e cresce. Para o Presidente do Portal de Angola Jorge dos Santos Monteiro, a nomeação constitui e lembro que ” é uma honra para a nossa equipa e por todo o empenho que tenho colocado ao serviço desta prestação pública de informação “. Como disse o histórico e inesquecível Martin Luther King Jr, ” o Progresso humano não é nem automático, é inevitável”. O presente e o futuro assentam no acesso normal à Sociedade do Conhecimento e da Informação num plano local e global. Fechar um povo e uma Nação ao conhecimento e à informação, é fechar a porta ao natural e sustentável Desenvolvimento Humano de que se necessita para evoluir de forma igual e humanizada.

por Gabriel Baguet Jr, Escritor/Investigador

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