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Antigos guerrilheiros do MPLA protestam contra pobreza extrema

Pagamento de subsídios de desmobilização acentua revolta

Sem espaço na Caixa de Protecção Social das Forças Armadas Angolanas, centenas de antigos combatentes das ex-FAPLA, o velho braço militar do MPLA, na província de Benguela, criticam o que consideram ser discriminação no modelo adoptado pelo Governo para a sua reintegração na sociedade.

Numa província com mais de seis mil homens registados, num processo levado a cabo em 2015, questiona-se, mais do que o valor de um único subsídio, o tratamento que se dá a oficiais, quando o pessoal de base é confrontado com o espectro de pobreza.

Desmobilizado em 2002, justamente no Ano da Paz, Miguel Tomás Neto, de 62 anos de idade, é obrigado a receber, pela primeira vez após o fim do serviço militar, 55 mil kwanzas, pouco mais de 200 dólares ao câmbio do Banco Nacional de Angola.

“Nunca recebi nada. Por outro, não percebemos como é que a Caixa Social é só para oficiais. Será que eles combateram sozinhos?’’, questiona Neto, ao passo que outro soldado, sublinha que ‘’o desmobilizado, hoje, como um cidadão frustrado, até faz recolha de bens nos focos de lixo’’.

Reivindicações de sargentos e soldados das ex-Fapla, com subsídios que vão até 161 mil kwanzas, à imagem do que se verifica no extinto Ministério da Segurança do Estado.

A VOA visitou a sede da Associação de Apoio aos Combatentes deste movimento (ASCOFA), onde estiveram dezenas de viúvas de ex-militares que tombaram na guerra

“Estamos a passar muito mal, com os nossos familiares, os nossos filhos órfãos. Não temos como viver, não conseguimos dar educação aos nossos filhos. É assim há 20 vinte anos’’, criticam viúvas

O delegado da ASCOFA na província de Benguela, António Chinhama dos Santos, tenente-coronel reformado, diz que os sargentos e soldados serão integrados em projectos sociais e económicos.

“Por exemplo, a grande maioria identifica-se com o campo, daí a nossa aposta na agricultura. Estamos a criar cooperativas para ver se eles são enquadrados em projectos agrícolas. Quem não tiver condições físicas, até porque a juventude ontem não é a de hoje, poderá incluir os seus filhos’’, garante o líder associativo.

Contactado pela VOA a propósito dos subsídios de desmobilização e de outros temas sobre a reintegração, o general Lúcio do Amaral, secretário de Estado para a Acção Social, optou por não conceder entrevista.

O valor mínimo para o grau de oficial, com tenentes, capitães, majores e brigadeiros, é de 150 mil kwanzas/mês.

A província de Benguela registou 6.885 desmobilizados, sendo 653 oficiais. (Voa)

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