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Rússia no mundo: pontos de atrito e disputas de influência

Depois de mais de 18 anos no poder, Vladimir Putin se orgulha de ter colocado a Rússia novamente no primeiro plano da cena internacional, às custas de um aumento da tensão com o Ocidente em um nível sem precedentes desde a Guerra Fria.

Seguem abaixo alguns desses pontos de fricção e de convergência:

– Síria –

Aliado inquebrável de Damasco, a Rússia impôs 11 vetos a projectos de resolução da ONU desde que começou o movimento de protestos na Síria, em abril de 2011, no contexto da chamada “Primavera Árabe”, para proteger o governo do presidente Bashar al-Assad.

O Kremlin viu com maus olhos as “primaveras árabes” e entendeu como uma traição o que aconteceu na Líbia.

Possível após a abstenção de Rússia e China em uma votação do Conselho de Segurança da ONU em Março de 2011, uma intervenção internacional levou à morte violenta de Muamar Khadafi – presidente líbio à época -, mergulhando o país no caos.

Já a intervenção militar russa na Síria, iniciada em 2015, permitiu às forças do governo tomar a maior parte do território das mãos de rebeldes e de extremistas.

Para tentar resolver o conflito, a Rússia constituiu uma tríade inédita com o Irã – outro aliado de Assad – e com a Turquia, que apoia os rebeldes, colocando-se, assim, como um actor importante no Oriente Médio.

– Ucrânia –

No início de 2014, a revolta pró-Ocidente da Praça Maidan levou a confrontos armados após a fuga do presidente pró-Moscovo Viktor Yanukovych. Em alguns dias, homens armados sem insígnia – soldados russos, como disse Putin depois – tomaram o controle da península ucraniana da Crimeia. Em 18 de Março, a região passou a fazer parte da Rússia, após um referendo que a comunidade internacional considerou ilegal.

A essa anexação se seguiu um conflito armado entre o Exército ucraniano e os separatistas pró-russos no leste da Ucrânia, que deixou, desde então, mais de dez mil mortos.

Ucrânia, Estados Unidos e União Europeia acusam Moscovo de apoiar militarmente os rebeldes, motivo pelo qual europeus e americanos impõem sanções sem precedentes à Rússia desde 2014. O Kremlin nega as acusações.

– Coreia do Norte –

Diferentemente de Washington, que durante muito tempo brandiu a ameaça das sanções, Moscovo sempre pediu diálogo com Pyongyang, seguindo um roteiro definido por Rússia e China.

Ainda assim, a Rússia apoiou, no final de 2017, uma resolução da ONU para impor novas sanções à Coreia do Norte, com restrições às importações de petróleo, cruciais para seus programas nuclear e de mísseis.

No início de Janeiro, Vladimir Putin elogiou o dirigente norte-coreano, Kim Jong-un, “um político maduro”, quando este último enviou sinais de abertura em seu discurso de Ano Novo.

– Estados Unidos –

Moscovo e Washington divergem em um grande número de temas internacionais, como Ucrânia, Irã e Síria. Desde a eleição de Donald Trump, porém, suas relações pioraram, em consequência das acusações de ingerência russa na eleição presidencial americana, com a suposta ajuda de hackers e de “trolls” nas redes sociais. Na campanha, o discurso do magnata nova-iorquino era no sentido contrário: o de uma aproximação com os russos.

Há anos, Moscovo denuncia a mobilização de um escudo anti-mísseis americano no Leste Europeu e o reforço da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em suas fronteiras, o que lhe serve de desculpa para fortalecer suas próprias capacidades militares.

Em fevereiro, Washington anunciou que queria se dotar de novas armas nucleares de baixa potência, enquanto Putin apresentou, no início de março, novos mísseis russos “invencíveis”, despertando o temor de uma nova corrida ao armamento.

– China, Índia e Venezuela –

Enquanto a tensão com o Ocidente cresce, a Rússia busca estreitar os laços com seus aliados tradicionais, como China, Índia, ou Venezuela.

Ligados por um enorme contrato de abastecimento de gás russo à China, Moscovo e Pequim costumam se mostrar unidos também na cena internacional, principalmente nas votações da ONU. Suas relações estão no “melhor nível da história”, segundo o dirigente chinês, Xi Jinping.

Nos últimos anos, a Rússia firmou vários contratos com a Índia, um importante cliente de armamento russo, e reforçou seus laços com a América Latina, principalmente com a Venezuela.

Além disso, recentemente, Moscovo deu um forte apoio económico para Caracas, em plena crise económica, reestruturando um crédito de 3 biliões de dólares acordado em 2011. (Afp)

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