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Reabilitação de Stalin avança na Rússia

Um busto de Stalin instalado em Moscovo, o chefe do serviço secreto que justifica os expurgos stalinistas, Vladimir Putin que elogia um escritor glorificando Stalin: a reabilitação do ditador avança na Rússia.

Como em todo 5 de março, dia da morte de Stalin, nesta segunda-feira (5), centenas de militantes comunistas depositaram flores em seu túmulo, localizado atrás do mausoléu de Lenin, na Praça Vermelha, em frente aos muros do Kremlin.

Foram liderados por Guennadi Ziuganov, líder do Partido Comunista, na ausência de seu candidato à presidência de 18 de Março, Pavel Grudinin.

Mas os comunistas não são os únicos a reabilitar um dos ditadores mais sanguinários do século XX, falecido em 1953.

Tudo começou em 2009, quando a estação de metro Kurskaya em Moscovo foi decorada com uma inscrição dizendo: “Foi Stalin que nos criou na fidelidade ao povo, que nos inspirou no nosso trabalho e nas nossas façanhas”.

Na época, as autoridades explicaram que a estação havia sido renovada, recuperando a aparência da era stalinista.

Nos últimos anos, bustos de Stalin foram instalados em várias cidades russas, incluindo em Setembro passado no centro de Moscovo, por iniciativa da Sociedade Russa de História Militar, uma organização fundada pelo presidente Vladimir Putin e dirigida pelo ministro da Cultura, Vladimir Medinski.

Alguns, como o governador da região de Stavropol (sul), Vladimir Vladimirov, orgulham-se de mostrar um pequeno busto de Stalin em seu escritório.

A personalidade de Stalin continua a dividir profundamente a sociedade russa. Muitos o enxergam como o motor da industrialização do país e arquitecto da vitória sobre a Alemanha nazista. Outros denunciam um tirano responsável por 20 milhões de mortos, fuzilados, enviados para campos de trabalhos forçados, mortos de fome, ou deportados para a Sibéria.

Em Dezembro passado, o chefe do FSB (antiga KGB), Alexander Bortnikov, afirmou que uma “parte significativa” dos arquivos tratados durante os expurgos stalinistas “tinham um conteúdo real” e dizia respeito a “conspiradores” e pessoas “relacionadas” aos serviços de Inteligência estrangeiros.

“Aparentemente, um dos nossos funcionários de alto escalão justifica os expurgos em massa dos anos 1930 e 1940, marcados por condenações falsas, torturas e pela execução de milhares de compatriotas inocentes”, protestou um grupo de membros da Academia das Ciências da Rússia, após essas declarações.

– ‘Demonização excessiva’ –

“O problema é que nossos compatriotas simplesmente não entendem a extensão dos crimes de Stalin e não sabem o que foram os expurgos”, declarou à AFP o historiador Ian Ratchinski, da organização Memorial, principal ONG de defesa dos direitos humanos na Rússia.

Memorial, que desempenha um papel de destaque na pesquisa sobre a repressão stalinista, queixa-se de ser impedida em seu trabalho pelas autoridades, que a designaram “agente estrangeira”.

No final de fevereiro, Vladimir Putin saudou a “dedicação” e a carreira do escritor e jornalista russo Alexander Prokhanov, um grande defensor de Stalin, que completou 80 anos de idade.

O presidente russo mostrou sua posição ambígua sobre Stalin em uma entrevista com o director americano Oliver Stone em Julho passado. Embora tenha ressaltado que os horrores do regime stalinista não deveriam ser esquecidos, ele garantiu que “a demonização excessiva de Stalin era uma maneira de atacar a União Soviética e a Rússia”.

E está fora de questão de fazer piada com Stalin. No mês passado, o Ministério da Cultura anulou no último minuto a autorização de transmissão na Rússia de uma comédia burlesca franco-britânica de Armando Iannucci, “A morte de Stalin”, descrita como “uma provocação insultante ao passado” soviético.

A venda de memorabilia e de calendários com sua efígie em livrarias, museus, ou aeroportos, contribui para a banalização da imagem de Stalin, bem como muitos filmes transmitidos em canais de televisão públicos.

Como resultado, em junho passado, Stalin liderou uma pesquisa do centro independente Levada, na qual aparece como uma das personalidades mais destacadas de todos os tempos.

“A amnésia histórica é favorecida pela política de memória ambígua do poder russo, que combina o mito do passado soviético com uma justificativa escondida para seus crimes, ou pelo menos um desejo de reduzir sua escala”, apontou Lev Goudkov, do Levada. (Afp)

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