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Pesquisador detalha como foi a descoberta de civilização antiga na Amazônia

Uma descoberta feita por arqueólogos brasileiros revelou que a área da bacia do Alto Tapajós, na estado do Mato Grosso, pode ter sido habitada por cerca de 1 milhão de pessoas. Eles mapearam aproximadamente 81 sítios arqueológicos que apontam que lá pode ter havido uma alta presença de seres humanos.

O arqueólogo Jonas Gregório de Souza, pesquisador da Universidade de Exeter, na Grã- Bretanha, um dos responsáveis pela descoberta em entrevista à Sputnik Brasil contou que a concepção de que a floresta amazônica era lar de povos muito pequenos não existe há bastante tempo.

“Nós temos muitas evidências de que as populações humanas da Amazônia no período anterior à chegada dos europeus eram muito maiores e muito mais complexas do que a gente viu no período histórico. A grande questão é saber onde que essas populações estavam concentradas”, explicou.

Para descobrir o local onde iria fazer sua pesquisa, Jonas Gregório de Souza contou que outros arqueólogos já haviam descoberto muito sítios arqueológicos na região onde hoje é o estado do Acre e na região do Alto Xingu, que fica no nordeste do estado do Mato Grosso.

“Como existiam semelhanças entre os sítios arqueológicos encontrados a leste e a oeste, mas existia esse vazio no meio, nós decidimos ir até essa área para testar a hipótese de que talvez também se encontrariam sítios arqueológicos semelhantes. Isso provaria que toda essa região ao sul da Amazônia estava densamente ocupada no período anterior à chegada dos europeus, foi isso que nos motivou a fazer essa pesquisa”, contou.

Entre os vestígios encontrados há cerâmicas, machados de pedra, fortificações e solo fértil. Antes da pesquisa ser feita em campo, ou seja, com os pesquisadores indo pessoalmente até o local, eles colheram diversas imagens de satélites.

“Nessas imagens foram localizados os potenciais sítios arqueológicos. Então nós fomos à campo e visitamos uma seleção desses possíveis sítios para confirmar se, de fato, se tratavam de sítios arqueológicos”, disse Jonas.

Segundo o arqueólogo, um dos sítios mais impressionantes que eles encontraram tem aproximadamente 400 metros de diâmetro e a construção é feita em um formato semelhante ao das aldeias indígenas.

“Um dos sítios que nós visitamos era cercado por um fosso que tinha mais ou menos 400 metros de diâmetro, um poço muito profundo, uma mureta de terra e descia uma estrada com dois muros paralelos que a delimitavam. Essa estrada se estendia por quase 1,5 km em direção ao sítio arqueológico. Dentro do sítio arqueológico, nós encontramos o conjunto de plataformas, de montes de terra, que provavelmente eram antigas plataformas de casas, dispostas de uma forma circular que lembra as aldeias indígenas que nós vemos até hoje”, descreveu. (Sputnik)

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