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UNITA volta a defender auditoria à dívida pública

Alguns dias depois da denúncia do Ministério das Finanças sobre uma alegada burla no serviço da dívida pública, a UNITA volta a defender a realização de uma auditoria à dívida.

A posição da UNITA consta numa declaração política do maior partido na oposição, divulgada no final da última reunião extraordinária do comité permanente da sua comissão política, realizada na última sexta-feira. “A UNITA reitera a sua posição a favor de uma sindicância, inquérito, inspecção ou auditoria à dívida pública”, lê-se no documento.

A UNITA, que já havia solicitado a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para uma auditoria á dívida pública, entretanto rejeitada pela Assembleia Nacional, diz que “os angolanos e a comunidade internacional sabem que nenhum outro país do Mundo teve o seu erário público tão saqueado pelos seus próprios governantes como Angola. E sabem também que uma boa parte deste saque ou roubo foi feito através de alegadas dívidas, umas forjadas, outras empoladas”.

O partido liderado por Isaías Samakuva acusa o MPLA de estar a defender a realização de uma auditoria à dívida apenas agora, depois de a secretária de Estado das Finanças e Tesouro do Ministério das Finanças, Vera Daves, ter denunciado uma alegada burla no serviço da divida pública relativamente ao pagamento de bens e serviços.

“É preciso que uma governante venha dizer publicamente que 25 por cento da dívida pública é fraudulenta para o partido-Estado aceitar a necessidade imperativa de uma auditoria para a defesa do interesse nacional? Porquê tanto desprezo pela defesa do interesse público? Porque se fez ouvidos de mercador à demanda da UNITA para se proceder à nomeação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) à dívida pública? E quem garante que a parte fraudulenta da dívida pública sejam mesmo 25 por cento e não 50 ou 70 por cento? Como podemos saber ao certo se não investigarmos? Afinal, o que é que se procura esconder?”, pergunta o maior partido na oposição.

Segundo a UNITA, “os angolanos querem saber – porque têm esse direito – como foi que o país se endividou tanto em tão pouco tempo; a quem Angola deve e quanto deve; para onde foi o dinheiro; quanto da alegada dívida é legítima e quanto é fraudulenta; e quem defraudou Angola”. “Os angolanos querem saber quanto do nosso futuro está hipotecado e em que bases Angola poderá renegociar o fardo da dívida para garantir mais investimentos, mais empregos e mais crescimento” , diz a UNITA.

A segunda maior força política em Angola diz estar a acompanhar com bastante interesse as “mediáticas denúncias”, que nos últimos dias têm dominado a opinião pública, sobre alegados crimes de peculato, quadrilha, corrupção, organização criminosa, branqueamento de capitais e outros, imputados a servidores do Estado, a todos os níveis.

Na quarta-feira, a Procuradoria-Geral da República (PGR) prometeu investigar a denúncia do Ministério das Finanças sobre uma alegada burla ao serviço da dívida pública. O anúncio foi feito pelo procurador-geral da República, Hélder Pitta-Grós, em declarações à imprensa, em consequência de denúncias do Ministério das Finanças de suspeitas de existência de facturas sobre trabalhos não realizados.

Hélder Pitta-Grós esclareceu que é dever da PGR averiguar as denúncias, principalmente por ter vindo da secretária de Estado para as Finanças e Tesouro, Vera Daves, que disse que dados analisados pelo Ministério das Finanças apontam que 25 por cento da dívida do Estado para com as empresas corresponde a processos fraudulentos.

“Ainda há muito trabalho por se fazer, muito trabalho, mas a verdade é que 25 por cento do que foi analisado é um serviço que não foi prestado”, realçou a secretária de Estado.

Na sua declaração, a UNITA encoraja todos os cidadãos honestos a terem uma atitude de coragem, denunciando todos os actos que delapidaram a economia. (Jornal de Angola)

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