Radio Calema
InicioAngolaSociedadeGreve no ensino geral convocada para Abril

Greve no ensino geral convocada para Abril

O Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF) anunciou, ontem, em Luanda, a realização de uma greve dos professores do ensino não universitário, em todo o país, no período de 9 a 27 de Abril, pela não aprovação do Estatuto da Carreira Docente e do processo de actualização de categorias.

“A greve vai ser por tempo indeterminado”, declarou a secretária-geral do Sindicato, Hermínia do Nascimento, que admitiu que, por ser interpolada, vai ser suspensa no dia 28 de Abril.

A decisão de greve saiu de consulta aos professores em assembleias de trabalhadores e do encontro de ontem com os secretários provinciais do SINPROF.

O sindicato rejeita a estratégia do Ministério da Educação de priorizar o concurso público de admissão de novos professores em detrimento da actualização de categorias dos professores em serviço.
“A greve terá abrangência em todos os estabelecimentos escolares públicos e comparticipados dos subsistemas do ensino não universitário do país, a partir das 7 horas do dia 9 de Abril”, referiu Hermínia do Nascimento, durante a leitura do comunicado da greve.

O SINPROF ameaça, igualmente, que, caso o Executivo não aprove o Estatuto da Carreira Docente e continue intransigente na resolução do problema, os professores voltam a paralisar as aulas em Junho deste ano.

O presidente do SINPROF, Guilherme Silva, lembrou que a suspensão da greve, em Abril do ano passado, aconteceu porque na altura o Presidente da República cessante orientou o Ministério da Educação no sentido de fazer a actualização de categoria e transição dos professores do regime probatório para o definitivo.

“Isto não ocorreu”, indicou, para acrescentar que houve um incumprimento da orientação do Presidente por parte do ministério e das direcções provinciais de Educação.

Como disse, o sindicato tem vindo a dialogar com o Ministério da Educação desde 2013, tendo participado na elaboração da proposta do Estatuto da Carreira, entre Maio e Julho de 2017.

Este ano, continuou, o SINPROF participou, igualmente, nas comissões técnicas, que apresentou uma contraproposta ao Estatuto de Carreira Docente.

O referido Estatuto, supõe Guilherme Silva, foi remetido ao Ministério de Administração Pública, Trabaljo e Segurança Social (MAPTSS), mas “o sindicato já havia reportado ao Ministério da Educação, em documento, que no Plano Intercalar do Executivo de Outubro 2017 e Março 2018, não constava a aprovação do Estatuto da Carreira Docente.

“Lembramos para que fosse aprovado o Estatuto e resolvida a questão da actualização de categorias”, disse, sublinhando que o mês de Março terminou com discursos que não agradam os professores e simulações da parte do Ministério da Educação.

Guilherme Silva afirmou, peremptório, que a sua organização não é apologista de promessas, por isso rejeita todas as promessas, exigindo a aprovação do Estatuto e a actualização de categorias dos professores em serviço antes da realização do concurso público.

O líder sindical explica que, se for realizada, primeiro, a admissão de novos professores, o docente que se encontra na categoria “ensino primário auxiliar”, já licenciado, mas com salário básico de 49 mil kwanzas, vai ser prejudicado, apesar do seu perfil académico ou profissional.

“O que ocorrerá é que o professor do ensino primário, já licenciado, vai ter um salário inferior ao do colega admitido recentemente com o mesmo nível académico. O novo vai ser professor do sexto escalão diplomado e vai ter um salário de 214 mil Kwanzas”, acentuou Guilherme Silva, para quem a justificação apresentada pelo SINPROF é justa, para que se evite a desmotivação.

Ao lamentar a existência de salas de aula do ensino primário na província do Cuando-Cubango com 150 alunos, o presidente do SINPROF esclareceu que o sindicato apenas quer ver a melhoria da qualidade de ensino em Angola e, para tal, devem todos trabalhar para a valorização dos professores.

“Os políticos falam da valorização dos professores, mas na prática não se vê, ou seja, estão a ser vilipendiados”, declarou o líder sindical. O sindicato dos professores pede um salário digno para os professores que lhe dê tranquilidade para viver e leccionar.

Em relação aos processos entregues pelos professores no início do ano lectivo às repartições de Educação para efeito de actualização de categoria, Guilherme Silva respondeu que foram simulações realizadas pelo Ministério da Educação para distrair os professores. (Jornal de Angola)

Siga-nos

0FansCurti
0SeguidoresSeguir
0InscritosSe inscrever

Últimas notícias

Notícias relacionadas

- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.