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Quinze palestinianos mortos pelo Exército israelita em confrontos em Gaza

Pelo menos quinze palestinianos da Faixa de Gaza foram mortos nesta sexta-feira por soldados israelitas durante um encontro na fronteira entre milhares de manifestantes palestinianos e o Exército israelita, que degenerou em confrontos em vários lugares do enclave.

De acordo com o ministério da Saúde em Gaza, mais de 1.200 feridos nos confrontos. O primeiro palestino foi morto por tiros da artilharia israelita no início da manhã, mesmo antes do início dos protestos.

O Crescente Vermelho Palestino identificou mais de 350 manifestantes feridos por tiros de soldados israelitas perto da fronteira, palco de confrontos frequentes entre habitantes do enclave sob cerco e soldados israelitas.

Dezenas de milhares de manifestantes, incluindo mulheres e crianças, se reuniram em vários pontos da fronteira para “a grande marcha de retorno”, um movimento de protesto que deve durar seis semanas para exigir o “direito de retorno” para os refugiados palestinianos e denunciar o estrito bloqueio a Gaza.

“A grande marcha do retorno” foi lançada por ocasião do “Dia da Terra”, que marca a cada 30 de Março a morte em 1976 de seis árabes israelitas durante manifestações contra o confisco de terras por Israel. Os árabes israelitas são descendentes dos palestinianos que permaneceram em suas terras após a criação do Estado de Israel em 1948.

Os palestinianos e a Turquia denunciaram o “uso desproporcional” da força por Israel.

O Conselho de Segurança da ONU se reunirá nesta sexta-feira para analisar a violência em Gaza. A reunião que foi solicitada pelo Kuwait será realizada a portas fechadas e começará às 22H30 GMT (18H30 horário de Brasília), segundo um diplomata que pediu para não ser identificado.

– “Pneus queimados” –

Um porta-voz do Exército israelita estimou em 17 mil o número palestinianos em manifestações em “seis locais” na Faixa de Gaza nesta sexta-feira.

No final do dia, o Exército israelita indicou que atacou três posições do Hamas na Faixa de Gaza em resposta a uma tentativa de ataque contra soldados por manifestantes.

Militares e políticos israelitas alertaram que o Exército não hesitaria em atirar, caso os palestinianos tentassem se infiltrar no território israelita.

“O Exército israelita impôs uma zona militar fechada ao redor da Faixa de Gaza, qualquer actividade neste sector requer sua autorização”, disse o porta-voz do Exército.

Os manifestantes “rolam pneus queimados e atiram pedras contra a cerca de segurança e tropas israelitas, que recorrem a meios anti-motins e disparam contra os principais líderes”, acrescentou.

Organizada oficialmente pela sociedade civil, “a marcha do retorno” é apoiada pelo Hamas, o movimento islâmico palestino que governa a Faixa de Gaza.

Israel e o Hamas travaram três guerras no enclave palestino desde 2008 e observam desde 2014 um tenso cessar-fogo.

Uma das preocupações de Israel com o movimento de protesto é uma tentativa, espontânea ou não, de forçar a cerca da fronteira.

– “Provocação” –

O ministro da Defesa israelense, Avigdor Lieberman, alertou que “centenas de franco-atiradores (israelitas)” foram posicionados na fronteira.

“A liderança do Hamas está brincando com suas vidas”, escreveu Lieberman em árabe em sua conta no Twitter, dirigindo-se aos habitantes do território palestiniano.

“Todos aqueles que se aproximarem da barreira (de segurança) se colocarão em perigo, sugiro que continuem suas vidas diárias e não participem de uma provocação”, acrescentou.

Logo cedo esta manhã, antes do início da “marcha de retorno”, um agricultor palestiniano de 27 anos foi morto pela artilharia israelita perto de Khan Yunis, no sul do enclave.

Um porta-voz do Exército israelita explicou que dois “suspeitos” se aproximaram da barreira e que tanques dispararam em sua direção.

Enquanto o Estado de Israel celebrará em maio seu 70º aniversário, os palestinianos ainda aguardam a criação de seu Estado, mais incerto do que nunca.

O direito ao retorno dos refugiados continua sendo uma exigência fundamental dos palestinianos e, para os israelenses, um grande obstáculo à paz.

O status de Jerusalém também é um ponto importante de tensão, ainda mais desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu reconhecer a cidade como a capital de Israel e transferir a embaixada americana para lá.

Esta decisão, tomada em 6 de dezembro, seguida do anúncio da transferência da embaixada americana em meados de maio, enfureceu os palestinos, que querem fazer de Jerusalém Oriental, anexada por Israel, a capital do Estado a que aspiram. (Afp)

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