Radio Calema
InicioMundoÁfricaPR congolês procura sucessor

PR congolês procura sucessor

Num artigo de opinião publicado no portal da revista Jeune Afrique, Pierre Boissolet e Trésor Kibangula lembram que Joseph Kabila, 46 anos e no poder desde 2001, já não pode alhear-se da contestação social que assola o país, mergulhado também numa guerra étnica, pelo que consideram ser “provável” que o Presidente não se apresente às eleições de 23 de Dezembro próximo.

Impossibilitado constitucionalmente de se apresentar a novo mandato presidencial – após suceder ao pai, Laurent-Désiré Kabila (assassinado em 2001), Joseph venceu as eleições de 2006 e de 2011 – o actual presidente congolês tem tentado esticar o mandato presidencial (deveria ter terminado em Dezembro de 2016) para ganhar tempo para encontrar uma solução para alterar a lei eleitoral.

Oficialmente marcada da 23 de Dezembro, a realização da votação ainda é incerta, apesar das pressões internacionais que o país tem sofrido, havendo já movimentações dentro do próprio Partido do Povo para a Reconstrução da Democracia (PPRD, no poder), com vista à sua substituição e também no sentido de evitar pôr fim à limitação de mandatos presidenciais.

Se o calendário for respeitado, asseguram os dois analistas, o PPRD terá de designar o candidato às presidenciais num congresso a realizar antes de Agosto.

Para Boissolet e Kibangula, se Kabila ceder, terá de escolher um candidato que cumpra três critérios, com o primeiro a passar pela “lealdade total”, uma vez que Kabila é, “por natureza, extremamente desconfiado” e tem “muitos interesses, sobretudo económicos, para proteger”.

Os dois analistas lembram o caso de Eduardo dos Santos, “rapidamente marginalizado” após deixar o poder, em 2017, pelo que interessa reforçar a vigilância interna.

Em segundo lugar, defendem ambos, há o critério securitário, uma vez que o presidente cessante deve manter o controlo do exército e dos serviços de segurança, “a coluna vertebral do regime”, pelo que o candidato a apoiar deverá facilitar a tarefa.

Por fim, Kabila terá de ter “muita atenção” à imagem do candidato junto da comunidade internacional, pois o escolhido deverá tudo fazer pela credibilidade das eleições e evitar as reservas quanto à legalidade do escrutínio, garantindo, paralelamente, a vitória no escrutínio.

entro do PPRD são muitos os que se estão a posicionar para lhe suceder, como o presidente do Parlamento congolês, Aubin Minaku Ndjalandjoko, o líder do próprio partido, Emmanuel Ramazani Shadary, mais ligados aos conservadores, e o antigo primeiro-ministro Matata Ponyo Mapon, liberal.

Segundo os dois analistas, “há muitos sinais” já de que Kabila não avançará com uma candidatura às presidenciais, “pelo menos por uns tempos”.

Em Dezembro último, o Parlamento aprovou uma nova lei eleitoral que favorece os partidos financeiramente mais poderosos, como o PPRD, estendendo o número de assinaturas a todo o país e criando cauções a pagar pelos que se quiserem candidatar.

Já em Janeiro deste ano, os estatutos do PPRD foram alvo de uma reforma, criando o cargo de presidente do partido, o que, na opinião de Boissolet e Kibangula, é visto como um “fato à medida de Kabila após sair da Presidência. (Diário de Notícias)

por Lusa

Siga-nos

0FansCurti
0SeguidoresSeguir
0InscritosSe inscrever

Últimas notícias

Notícias relacionadas

- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.