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Brexit ganhou com batota, denunciam informáticos

Sem batota o resultado seria outro”, disse ontem no Parlamento britânico Christopher Wylie, o ex-diretor de investigação da empresa de análise de dados Cambridge Analytica

A um ano da data prevista para a saída dos britânicos da União Europeia, 29 de março de 2019, a vitória do brexit no referendo de 23 de junho de 2016 está a ser posta em causa. Por informáticos. Que decidiram falar agora.

Christopher Wylie, o canadiano de 28 anos que foi cérebro da Cambridge Analytica, afirmou em entrevista a vários jornais europeus, como o El País e o Die Welt, que sem a intervenção da empresa de análise de dados os partidários do brexit não teriam conseguido ganhar o referendo.

“O referendo foi ganho com menos de 2% dos votos e muito dinheiro foi gasto em publicidade na medida certa, com base em dados pessoais”, disse Wylie, referindo-se ao resultado da consulta: 51,89% Sim e 48,11% Não. “Não trabalhei na campanha do brexit mas fui uma presença fantasma porque conhecia muita gente e ajudei a montar a empresa posta a serviço da campanha. Sabia tudo o que se passava. Coloquei-os em contato e acompanhei o que faziam”, garantiu, na entrevista, que foi ontem publicada.

O jovem referia-se à empresa canadiana Aggregate IQ, que segundo ele trabalhou com a Cambridge Analytica para ajudar a campanha do Leave. Ouvido ontem na comissão para o digital, cultura, media e desporto do Parlamento britânico, Wylie denunciou “um plano comum” dos defensores do brexit para contornar as leis de financiamento eleitoral e, recorrendo a estas empresas, conseguir manipular eleitores a favor da saída da UE.

“Se não tivesse havido batota, o resultado teria sido outro, do meu ponto de vista. Deixa-me furioso porque as pessoas apoiaram a campanha do Leave porque acreditavam na aplicação da lei e da soberania britânicas. E alterar a ordem constitucional deste país com base numa fraude é mutilar essa ordem constitucional”, declarou na comissão parlamentar, numa audição de quatro horas.

Wylie apontou o dedo à campanha do Vote Leave, mas também a outros três grupos: o BeLeave, os Veteranos pela Grã-Bretanha, e o Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte. Segundo este jovem a campanha do Vote Leave contornou os limites de financiamento impostos pela lei eleitoral, que são de sete milhões de libras (oito milhões de euros).

Quando se aproximou o fim da campanha e esse limite estava perto de ser atingido, o Vote Leave doou 625 mil libras (715 mil euros) ao grupo BeLeave, destinado a jovens que eram a favor do brexit, fazendo o dinheiro chegar diretamente à Aggregate IQ. Os procedimentos foram denunciados por Shahmir Sanni, que ajudou a estabelecer o BeLeave. Segundo ele, o BeLeave até partilhava escritórios com o Vote Leave.

Recorde-se que os principais rostos desta campanha foram Michael Gove e Boris Johnson. Ambos são ministros no atual governo de Theresa May. O primeiro é responsável pela pasta do Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais e o segundo pela pasta dos Negócios Estrangeiros. No fim de semana Boris Johnson disse: “Vote Leave ganhou de forma justa e clara – e legal. Daqui a um ano vamos sair da UE”. A Aggregate IQ, com sede em Victoria, na Columbia Britânica, Canadá, negou pertencer à Cambridge Analytica.

Além do brexit, Christopher Wylie reclama também para a Cambridge Analytica uma intervenção a favor da eleição de Donald Trump em 2016. Tudo através do uso de dados de 50 milhões de utilizadores do Facebook. Estas revelações deixaram o fundador do Facebook sob nova pressão. Mark Zuckerberg voltou a recusar ser ouvido pelo Parlamento do Reino Unido. Mas segundo a CNN aceita ir ao Congresso dos EUA. (Diário de Notícias)

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