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Conheça a Capela Sistina através de efeitos especiais

Os personagens dos afrescos da Capela Sistina ganham vida graças aos efeitos especiais criados para um espectáculo multimédia inaugurado nesta sexta-feira (16) em Roma, que convida os visitantes a mergulharem no magnífico universo do génio renascentista Michelangelo.

O espectáculo, realizado com a colaboração do Vaticano, conta com a música original do astro pop britânico Sting e utiliza tecnologias ultra-modernas para conhecer a célebre obra-prima do artista florentino.

Dirigido pelo italiano Marco Balich, conhecido por ter criado as cerimónias dos Jogos Olímpicos de Turim e Rio de Janeiro, tem como título “O juízo universal” e mistura arte com entretenimento e história com teatro.

O show, de 60 minutos de duração, foi programado no teatro de Via da Conciliação, na avenida que leva à basílica de São Pedro e justamente a sua famosa Capela Sistina, visitada diariamente por 20.000 turistas.

Trata-se de uma experiência especial já que tanto o palco como as paredes e o tecto do teatro foram equipados com telas para projectar fotografias em alta definição proporcionadas pelos Museus do Vaticano.

O objectivo é transmitir a sensação de estar sentado no meio da magnífica capela com uma visão de 270 graus.

Entre os jardins do Éden, Adão e Eva dançam enquanto uma vegetação exuberante sobe pelas paredes laterais até o tecto.

A arca de Noé zarpa em meio à tempestade, enquanto o dilúvio castiga os humanos.

“Tentamos aplicar nossa linguagem tecnológica a um monumento da Humanidade”, explicou Balich.

Os blocos de mármore deslizam misteriosamente sobre o palco, e aparece um actor que encarna Michelangelo, em frente a uma enorme rocha sem forma.

“Tudo está ali dentro… busco a beleza, a beleza é tudo para mim, é minha obsessão”, diz uma voz em off. Desse monólito surgirá depois uma escultura.

Após essa génese, aparece o papa Sisto IV (1471-1484), que decide restaurar uma capela medieval que depois baptiza com o seu nome. Para isso chama grandes artistas de sua época como Perugino, Botticelli e Ghirlandaio, cujas pinturas bíblicas aparecem nas paredes laterais.

Em 1508, chega o florentino Michelangelo Buonarroti, de 30 anos, para decorar com afrescos o teto desse espaço monumental a pedido do papa Júlio II (1503-1513).

Conhecido como escultor, reconhece que será uma loucura pintar 1.000 metros quadrados de tecto (500 dias de trabalho) sem conhecer as técnicas dos afrescos.

Trinta anos depois, outro papa, Clemente VII (1523-1534), lhe pedirá um afresco para o altar maior, o Juízo Final, que será sua obra-prima.

– Seduzir os jovens –

“Quero comunicar com as gerações mais jovens para que entendam que a beleza e a arte são valores importantes para entender as próprias raízes”, assegurou Balich.

“Sessenta minutos é a capacidade de atenção das gerações mais jovens, se falamos bem despertaremos sua curiosidade”, afirma.

O espectáculo será programado também para estudantes e seduz com o místico prelúdio cantado em latim por Sting.

Didáctico e imbuído de espiritualidade, o texto não peca por ligeireza. Um espectáculo oposto ao musical “Divo Nerone”, financiado pela prefeitura de Roma, sobre a vida do imperador, e que foi um fracasso de crítica e de público.

“O Juízo Final – Michelangelo e os segredos da Capela Sistina”, cuja preparação durou dois anos e meio, custou nove milhões de euros provenientes de fundos privados. (Afp)

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