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Novos protestos e início de investigação sobre morte de Marielle no Rio

Novos protestos eram organizados nesta sexta-feira (16) no Rio de Janeiro em homenagem à vereadora do PSOL Marielle Franco, assassinada a tiros na noite de quarta-feira, junto com seu motorista, Anderson Gomes, em meio a diferentes versões sobre as motivações do crime.

Movimentos sociais convocaram uma manifestação no fim da tarde em frente à Assembleia Legislativa do Estado de Rio (Alerj), depois das passeatas na véspera que mobilizaram umas 50.000 pessoas no Rio, 30.000 em São Paulo e vários milhares em outras cidades do país.

No centro do Rio, os semáforos estavam cobertos com imagens da vereadora e ativista do PSOL, conhecida pela luta contra o racismo e a violência policial nas favelas.

Os muros da Câmara dos Vereadores, na Cinelândia (centro), local do velório e ponto de partida das marchas de quinta, estavam cobertos com mensagens contra a polícia e contra o governo Temer.

– ‘Execução’ –

A investigação corre sob segredo de Justiça, mas segundo informações que vazaram, o carro em que Marielle Franco voltava para casa após um encontro sobre empoderamento de mulheres negras foi seguido por quatro quilômetros por outro veículo.

O ataque ocorreu no centro da cidade. Além do motorista e da vereadora, estava no carro sua assessora de imprensa, que ficou ferida por estilhaços.

Segundo o portal G1, os atacantes teriam contato com o apoio de outro carro, cuja placa pôde ser identificada com imagens de câmeras de segurança da região.

Vários comentaristas asseguram que esta “execução” está ligada às denúncias da vereadora contra a ação das milícias ou a intervenção federal na segurança do Rio, decretada há exatamente um mês pelo presidente Temer.

Temer denunciou “um atentado contra a democracia e o Estado de direito” e seu ministro de Segurança Pública, Raul Jungmann, anunciou uma investigação exaustiva, embora tenha se abstido de antecipar hipóteses sobre os executores.

O ceticismo paira, no entanto, sobre esta promessa, por causa dos altos índices de impunidade do país.

“A melhor resposta que o governo tem que dar… é investigar com celeridade, rapidez e eficiência. Eu afirmo: se houver trabalho sério, sem medo de mexer em bolsões incrustados no Estado de corrupção, violência e crime, a gente apura em duas semanas isso aí”, declarou nesta sexta-feira o deputado Chico Alencar, do PSOL.

“Existe uma cultura no Rio de Janeiro, uma cultura de matriz mafiosa, de eliminação de pessoas que acabam de alguma forma se opondo ou resistindo às organizações criminosas” e isso seria o que ocorreu com Marielle Franco, disse na quinta-feira à AFP o jurista Walter Maierovitch, ex-secretario Antidrogas (1999).

– Despertar da esquerda? –

Todos os grandes jornais do Rio dedicaram nesta sexta-feira suas capas e várias páginas às manifestações de quinta-feira.

O Globo e O Dia citaram uma frase postada em suas contas nas redes sociais por Marielle Franco um dia antes de morrer: “Quantos mais precisarão morrer?”.

A mensagem se referia ao jovem Matheus Melo, morto quando saía de uma igreja no Jacarezinho na segunda-feira (12), possivelmente vítima de abuso policial.

Para o jornal Folha de S. Paulo, o assassinato da vereadora “despertou um gigante adormecido”, ao motivar as maiores manifestações da esquerda que até agora não conseguiu mobilizar suas bases contra as medidas de austeridade de Temer.

“Mataram minha mãe e mais de 46.000 eleitores”, escreveu no Twitter Luyara santos, filha de Marielle Franco, em alusão ao número de votos com que sua mãe foi eleita vereadora em 2016.

Os protestos se espalharam também fora do Brasil.

Em Londres, as ONGs The London Latinxs e Democracy Brazil-UK convocaram um ato em frente à embaixada do Brasil. (Afp)

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