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Relatório destaca crescimento e inovação na banca de retalho africana

A banca de retalho em África é a que mais cresce e inova e os mercados bancários africanos estão entre os mais interessantes do mundo, segundo um novo relatório da McKinsey Global Banking.

O mercado bancário global do continente é o segundo com maior crescimento e o segundo mais rentável a nível mundial, e um viveiro de inovação, de acordo com o estudo lançado na última sexta-feira.

Actualmente, quase 300 milhões de africanos são bancarizados, um número que poderia aumentar para os 450 milhões em 5 anos.

O relatório segmenta o mercado africano em quatro tipologias – desde mercados avançados como a África do Sul e o Egipto, a mercados em transição e rápido crescimento, como o Quénia, o Gana e a Costa do Marfim, a gigantes adormecidos como a Argélia, a Nigéria e Angola, a mercados bancários nascentes, como a República Democrática do Congo e a Etiópia.

O relatório revela também que não há “trade-off” entre crescimento e rentabilidade, já que os bancos que mais crescem são igualmente os mais rentáveis. Estes “vencedores” definem-se por empregar uma ou mais de cinco práticas vencedoras:

Cerca de 65% da rentabilidade dos bancos africanos (medida pelo ROE) e de 94% do crescimento das suas receitas é atribuível à sua localização geográfica.

Mais importante ainda, o relatório destaca um rebalanceamento da receita a nível do continente para o norte, este e oeste de África, com possível perda de relevância relativa da África do Sul.

O relatório aponta igualmente que 70% do crescimento das receitas agregadas irá ocorrer nos segmentos intermédios, definidos como rendimentos entre os 6000 e os 36 000 dólares de rendimento anual.

O mercado massivo – indivíduos que recebem menos de 6000 dólares por ano – representa 13% do crescimento, mas é o segmento com maior aceleração.

Um inquérito a cerca de 2500 clientes bancários em seis países africanos descobriu que 25% dos clientes escolhem o preço como o factor mais importante na escolha do seu banco. Igualmente importante é a conveniência, também referida por 25% dos clientes.

O serviço é o terceiro factor mais importante, sendo seleccionado por 12% dos clientes. O estudo aponta igualmente grandes oportunidades de venda cruzada – enquanto 95% dos africanos possuem produtos de pagamentos, menos de 20% têm produtos de crédito, de seguros, de investimento ou depósitos.

Banca mais simples, mais eficiente.

A África possui o segundo mais alto valor de custos sobre activos quando comparado com as demais regiões, cifrando-se em 3.6% e com uma trajectória negativa. Somente as significativas margens têm protegido os bancos africanos de uma queda no custo sobre receitas, provavelmente o mais usado indicador de eficiência.

No entanto, são possíveis rápidos ganhos neste domínio, e destacam-se oito bancos africanos que melhoraram a sua eficiência nos últimos cinco anos, mediante uma combinação de três alavancas – digitalização ponta a ponta, melhorias na produtividade das vendas em virtude da utilização de abordagens analíticas avançadas e “optimização de middle-office”.

Digital em primeiro

Quarenta por cento dos africanos preferem usar canais digitais para transacções, sensivelmente a mesma percentagem dos que preferem recorrer às agências. Inclusivamente, em quatro países, os canais digitais já são mais preferidos que os canais físicos.

O relatório aprofunda quatro temas de inovação emergente em África – transformações digitais de ponta a ponta (Equity Bank, por exemplo), parceria com empresas de telecomunicações (CBA no Quénia ou Diamond Bank na Nigéria, por exemplo), construção de um banco digital (ALAT na Nigéria, por exemplo), e construção de um ecossistema (Alipay na China, por exemplo).

Inovar no risco

A banca africana mantém o segundo custo de risco mais elevado do mundo. A fraca disponibilidade de dados é parte do problema: Os bureaus de crédito somente cobrem 11% dos africanos, comparativamente aos mais de 90% em mercados avançados.

No entanto, assiste-se a inovações como parcerias de bancos, com empresas de tecnologia como a Jumo, a parcerias de bancos com empresas de telecomunicações para emitir pequenos empréstimos móveis e a utilização do crédito consignado.

Este novo relatório tem por base a experiência dos sócios e colegas da McKinsey que servem bancos em todo o continente africano, a investigação realizada através da McKinsey Global Banking Pools, uma base de dados proprietária sobre o desempenho financeiro de 35 bancos líderes africanos, um inquérito a executivos de 20 bancos e instituições financeiras em todo o continente e um inquérito de base alargada a 2500 clientes de bancos em seis países africanos – África do Sul, Egito, Nigéria, Marrocos, Angola e Quénia.

Com presença em África há mais de 20 anos, a McKinsey & Company tem escritórios na Etiópia, no Quénia, em Marrocos, na Nigéria, na África do Sul e em Angola.

A McKinsey já participou em mais de 1400 projectos diversos em todo o continente africano. (Angop)

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