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Itália: futuro político de terceira maior economia da União Europeia é uma incógnita

O Movimento 5 Estrelas deverá ser o mais votado, mas o bloco de direita conseguirá certamente agregar mais deputados. Matteo Renzi é, por outro lado, um dos derrotados da noite. E os britânicos também…

Tal como avançavam todos os comentadores – italianos ou não – o futuro político decorrente das eleições de ontem em Itália é uma total nebulosa. As sondagens à boca das urnas indicavam que o Movimento 5 Estrelas (M5E), do comediante Beppe Grillo e Luigi di Maio, seria o partido mais votado (entre os 29% e os 32%) – mas muito longe da maioria absoluta.

A coligação de centro-direita – com Silvio Berlusconi a não conseguir vencer, ao contrário do que indicavam as sondagens – também não consegue, em princípio, chegar a uma maioria absoluta: segundo indicava a estação televisiva RAI, a Forza Italia (de Berlusconi) consegue entre 13% e 16% dos votos no Senado e entre 12,5% e 15,5% na Câmara dos Deputados, a que somam os resultados da Liga Norte de Matteo Salvini, (13% a 16% dos votos no Senado e entre 12,5% e 15,5% na Câmara) e da Amigos de Italia, de Giorgia Meloni, (entre 4% a 6% no Senado e entre 3,5% e 5,5% na Câmara).

O Partido Democrático de Matteo Renzi deverá situar-se entre os 20,5% e os 23,5%, sendo claramente um dos perdedores da noite.

É preciso agora saber-se o que farão os partidos com os votos que conseguiram. Num país que teve 64 governos em 70 anos – o que em primeiro lugar quer dizer que os italianos vivem bem em instabilidade política e que a Europa a isso está habituada – a geometria do próximo governo é extremamente variável.

As hipóteses em cima da mesa há umas horas vão desde uma coligação da direita eurocética, onde Berlusconi não entraria mas que poderia capturar o interesse do M5E (com a Liga Norte e os Amigos de Itália), até uma coligação mais abrangente, de todos os partidos à direita do Partido Democrático – uma espécie de geringonça de direita onde entrariam eurocéticos e europeístas na tentativa de acalmarem a Comissão Europeia, que vê os partidos com fortes reservas face à União a crescerem por todo o lado.

E já agora, face à concentração de votos à extrema-direita, porque não uma coligação entre o M5E e o Partido Democrático? Ninguém parece verdadeiramente acreditar nessa ‘geometria alternativa’ mas é preciso recordar que o território italiano e uma espécie de laboratório experimentação de todas as políticas, por muitos extravagantes que algumas delas soem aos ouvidos dos mais ortodoxos.

Outra hipótese, que os italianos conhecem bem, é que ninguém se entenda e que seja necessário preparar novas eleições – num quadro em que o Orçamento para 2018 já está aprovado e em vigor e é, por isso, um problema a menos. Resta saber se essa hipótese traria ou não ‘agarrado’ o regresso do fantasma dos governos de iniciativa presidencial – que costumam ter prazos de vida muito curtos.

Os italianos (cerca de 50 milhões de votantes) votaram ontem para elegerem 630 representantes para a Câmara dos Deputados (câmara baixa) e 315 senadores (câmara alta). Como o regime é de bicameralismo perfeito, as duas câmaras têm o mesmo peso na votação das leis.

Com a saída do Reino Unido, a Itália passa a ser a terceira maior economia da União Europeia – que por acaso tem a segunda maior dívida do agregado. Percebe-se assim que a Comissão Europeia esteja por esta altura a fazer contas: não lhes conviria sob nenhum aspeto que os eurocéticos passassem a governar o país, numa altura em que as consequência do Brexit ainda não estão totalmente esclarecidas.

É neste quadro que o bom resultados dos eurocéticos italianos é desde logo uma má notícia para os britânicos: a Comissão tem todas as razões para endurecer ainda mais as negociações do Brexit, na expectativa de calar quaisquer veleidades de repetição do cenário noutras geografias. (Jornal Económico)

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