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Direita com vantagem ante esquerda nas legislativas de El Salvador

O partido de direita Arena se consolidava nesta segunda-feira (5) como a maior força parlamentar em El Salvador, na apuração preliminar das eleições legislativas e municipais de domingo.

Com 65,1% das atas apuradas, a Aliança Republicana Nacionalista (Arena) somava 557.671 votos contra 328.818 da esquerdista Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN), do presidente Salvador Sánchez Cerén, informou o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE).

Em terceiro lugar aparece a direitista Grande Aliança pela Unidade (GANA), com 160.064 votos, seguida do Partido de Conciliação Nacional (PCN), em quarto lugar com 154.833, e em quinto o centrista Partido Democrata (PDC), com 39.605 votos.

O TSE não apresentou dados percentuais dos votos por conta da complexidade do sistema de eleição legislativa de El Salvador, que permite votar por listas partidárias, candidatos individuais, ou alianças de partidos.

O Arena começou a comemorar sua vitória, que incluiu a disputa municipal, ao recuperar a Prefeitura da capital, San Salvador, com seu candidato Ernesto Muyshondt, que venceu Jackeline Rivera, do FMLN.

“Vamos colocar a Prefeitura de San Salvador a serviço das pessoas e vamos fazer obras que permitam a transformação de San Salvador”, declarou Muyshondt durante um ato de comemoração na sede de seu partido.

O primeiro a reagir do FMLN foi o secretário de Comunicações da Presidência, Eugenio Chicas, que antecipou “uma reflexão detida” para determinar “no que falhamos com as pessoas”.

Segundo analistas, os resultados podem dificultar a governabilidade para o presidente Salvador Sánchez Cerén em seu último ano de mandato, que acaba em Junho de 2019.

Se ao final da apuração a esquerda “tiver 28 ou menos (deputados) o cenário para o FMLN será complicadíssimo” em virtude do que estaria fora das discussões que requerem maioria qualificada”, antecipou o cientista político Alvaro Artiga.

No actual Congresso, o Arena tem 35 deputados, o FMLN 31 e outros três partidos minoritários somam 18, pelo qual o governo teve que negociar para chegar a acordos, inclusive sendo bloqueado em algumas ocasiões.

Mas a governabilidade não é a única coisa em jogo para o Executivo: também é vital o apoio do Congresso a leis para o combate à violência criminosa, em um país que em 2017 registou uma taxa de 60 homicídios a cada 100 mil habitantes, uma das mais altas do mundo.

Embora as mortes violentas tenham diminuído de 103 homicídios a cada 100 mil habitantes em 2015, El Salvador ainda figura como uma das nações se guerra mais violentas do mundo.

O analista e advogado Felix Ulloa lembrou que a violência criminal é um dos principais problemas para os salvadorenhos e, por isso, o tema é e continuará sendo usado pela oposição.

“O governo não somente deve oferecer repressão como solução, deve apostar na prevenção, criação de oportunidades para os jovens em zonas de risco”, indicou Ulloa.

Cerca de 5,1 milhões de cidadãos foram convocados a votar, mas o juiz do TSE Arturo Argüello reconheceu que houve um baixo comparecimento de eleitores, embora tenha esclarecido que é uma situação “normal” em legislativas e municipais, que nunca ultrapassaram 50%.

Nessa votação são disputadas 84 cadeiras do Congresso unicameral e os cargos de prefeitos e vereadores dos 262 municípios do país. (Afp)

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