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Milhares de crianças-soldado recrutadas à força na RDC

Milhares de crianças são recrutadas à força todos os anos para as fileiras das guerrilhas e milícias que actuam na República Democrática do Congo (RDC), denuncia a ONU através da UNICEF e da sua missão militarizada no país, a MONUSCO, que sublinham ainda ter sido 2017 o ano mais devastador para as crianças do país.

No Dia Internacional das Crianças-Soldado, que ontem se comemorou, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Missão Internacional das Nações Unidas para a RDC (MONUSCO), vieram a público falar da alarmante situação que as crianças deste país vivem.

Em causa estão as integrações forçadas de crianças pelas guerrilhas e pelas milícias, especialmente no Leste, junto às fronteiras com o Ruanda, o Burundi e o Uganda, mas também nos Kasai, com fronteira com Angola, onde se viveram meses trágicos por causa da acção das milícias do Kamwina Nsapu (chefe tradicional) local, havendo um total de 130 grupos armados registados no conjunto das 26 províncias congolesas.

Mas o problema das crianças na RDC é ainda mais abrangente, havendo registo das mais graves violações dos direitos das crianças em todos os sectores, como, para além das incorporações pelas guerrilhas, a falta de cuidados de saúde, escola, deslocados internos, refugiados nos países vizinhos e fome.

E 2017 revelou-se um ano anormalmente crítico para as crianças congolesas.

“Ao longo de todo o ano de 2017, as violações contra as crianças adquiriram proporções alarmantes, com um total de 3 883 violações graves dos direitos das crianças registados, mais 66 por cento que em 2016”, informou o chefe do escritório da MONUSCO em Goma, capital do Kivu Norte, uma das províncias mais devastadas pelas guerrilhas, nomeadamente oriundas de países vizinhos, como a FDLR (Ruanda) ou ADF (Uganda), ou o malfadado Movimento 23 (M 23).

Daniel Ruiz, da MONUSCO, citado pela rádio da ONU na RDC, a Okapi, indicou, sempre a propósito do Dia Mundial das Crianças-Soldado, que estas são apanhadas à força e utilizadas como “espiões, combatentes ou, entre outros crimes, como escravos sexuais dos guerrilheiros”.

Este problema é antigo em algumas regiões do mundo, especialmente, nos dias de hoje, em África, tendo ficado como marco desta tragédia as guerras civis da Serra Leoa e da Libéria, na década de 1990, onde as crianças eram peça fundamental nessas guerras.

Como explicaram equipas de especialistas que estudaram esta matéria, tudo porque os senhores da guerra cedo perceberam que as crianças, porque ainda não estão com as noções do bem e do mal formatadas, são ainda mais violentas que os adultos e muito mais manuseáveis.

No caso actual da RDC, de acordo com o grupo de trabalho misto, que envolve a UNICEF e outras organizações, pelo menos 30 por cento dos grupos armados em acção no país são menores, entre rapazes e raparigas.

Até há bem pouco tempo, também as Forças Armadas da RDC (FARDC) estavam na lista negra da ONU sobre as crianças-soldado, mas deixaram essa lista em 2017.

A ONU estima que em todo o mundo existam cerca de 300 mil crianças-soldado, activos em pelo menos 30 conflitos armados em curso no globo (Novo Jornal Online)

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