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Jogos de ‘fortuna e azar’ cercam Luanda

Abandonado pela esposa e as filhas passa o dia no casino, apesar de ter um emprego numa recauchutagem. Eram 10h40min, o jovem não tinha feito a barba e parecia pouco preocupado com a sua aparência. Identificando-se apenas por Samuel, de 34 anos, diz ter arruinado a sua vida desde os seus 28 anos, altura em que visitou pela primeira vez uma casa de jogos.

Começou na República Democrática do Congo (RDC), sua terra natal e, apesar de ter perdido várias vezes, regressou noutras, ao ponto de não conseguir mais parar. Nem todos dias são de ‘azar’, pois 40 minutos depois de a casa de jogo ter sido aberta, o entrevistado tinha faturado 8.000 Kwanzas (Kz).

“Todo o dinheiro que consigo, no trabalho de mecânica, gasto aqui”, disse, tendo acrescentando que tem a vida destruída. Apesar das tentativas para deixar de jogar, tendo inclusive ido à igreja pedir ajuda, porém não consegue. Sem saber que éramos jornalistas, o interlocutor abordou a nossa equipa espontaneamente, quando fazíamos a ronda no bairro Golf 2, em Luanda. Continuou explicando que das muitas loucuras cometidas “em nome do jogo”, teve coragem de gastar o dinheiro que lhe foi entregue, pela irmã, para comprar cimento, destinado à construção de uma casa.

Há quem aposte o próprio salário A frequência ao referido local levou Samuel a conhecer vários indivíduos, os quais trata de “irmãos”, que partilham o mesmo vício. Segundo ele, muitos senhores e jovens, aparentemente bem posicionados na sociedade, estão envolvidos neste mundo (do jogo) e não conseguem sair. A título de exemplo, narrou que no dia anterior à nossa visita, um dos seus ‘irmãos’ levou 300 mil Kz do seu salário para jogar.

“Ele trabalha numa sonda. Ontem gastou 150 mil Kz e os outros 150 mil vai usar hoje, daqui a pouco. Já está a caminho”, revelou, tendo de seguida consultado o relógio. Emociona-se contando as histórias dos ‘seus irmãos’. A outra, menos “dramática”, dá conta de um indivíduo que teve a sorte de apostar dois mil Kwanzas e render 180 mil Kz. Apesar de tudo, Samuel não perdeu esperanças de largar o vício, pois anseia “resgatar” a família que perdera em consequência do jogo.

Proibição de entrada de menores posta em causa Sala semi-iluminada, música dançante ao estilo hip hop, indivíduos concentrados em torno da roleta. Em frente, o caixa, à esquerda quatro máquinas de jogos electrónicos, e à direita, outras nove. Este é o cenário por detrás de uma das salas de jogo da Avenida Pedro de Castro Van-Dúnem “Loy”, em Luanda, que leva as pessoas a outro “mundo”.

Enquanto a nossa equipa de reportagem timidamente caminha pelo recinto, fomos abordados por um funcionário musculoso, vulgo caenche, que exibia um volume de notas de cinco e dois mil Kwanzas, na mão. Questionou o que desejávamos. Sem nos identificarmos, pedimos explicações sobre os jogos disponíveis e a tabela de preços, cujo valor da aposta inicial, para a roleta, é 100 Kwanzas. Tivemos de desembolsar 500 Kwanzas para ocuparmos o sétimo dos oitos lugares vagos. Refira-se que na porta lê-se a seguinte inscrição “é proibida a entrada a menores de 18 anos”.

Nas cinco vezes que jogámos, angariamos apenas 50 Kz, tendo acrescentado este valor ao saldo inicial e no final perdemos tudo. Mais familiarizados com o ambiente, perguntámos ao funcionário em serviços o que fazer para entrar nos jogos electrónicos que antes nos haviam informado, os quais, por serem complexos, devem ser prefrencialmente utilizados por “jogadores mais experientes”. Na máquina, cujo valor inicial é de 10 Kz, o cliente pode obter até 60 mil Kz, ao passo que naquela onde o valor inicial é 20 Kz, o jogador pode levar para casa até um milhão e 200 mil kwanzas. (O País)

por Afrodite Zumba

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