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Jacob Zuma considera injusto o pedido do ANC para se demitir

O Presidente da África do Sul fala em injustiça no pedido que lhe tem sido repetidamente dirigido para que se demita, lamentando que nestes últimos dias não lhe tenha sido dada a oportunidade para se defender. Jacob Zuma fez estas declarações numa entrevista televisiva em que acusou alguns líderes do ANC de terem empolgado as vozes que agora exigem a sua demissão.

Jacob Zuma garantiu perante as câmaras da televisão pública sul-africana SABC nada ter feito que justifique agora esta exigência para que se demita.

“É muito injusto que este assunto esteja a ser constantemente levantado”, declarou Zuma, para questionar: “E que fiz eu? Ninguém é capaz de me dar qualquer justificação [para o pedido de demissão]”.

Zuma, chefe de Estado desde 2009, confirmou que os membros da cúpula do ANC (Congresso Nacional Africano) o confrontaram directamente com o pedido de demissão porque estava a chegar um novo presidente, pedido que considera não corresponder à forma como são tratadas as questões dentro do partido.
Moção de censura

A meio da manhã, o ANC aumentou a pressão sobre Jacob Zuma ao anunciar o apoio a uma moção de censura ao ainda Presidente, que deverá entrar no Parlamento esta quinta-feira se Zuma não apresentar entretanto a demissão. “Não podemos esperar mais”, dizia-se dentro do partido que lidera o cenário político na África do Sul desde 1994.

“Não podemos manter a África do Sul à espera”, sublinhou Paul Mashatile, tesoureiro geral do ANC, salientando que o partido deu até ao final do dia para que Zuma apresente a demissão. Qualquer destes cenários deverá abrir caminho ao atual vice-presidente, Cyril Ramaphosa, que em dezembro venceu a eleição para a liderança do ANC, para que assuma de imediato a Presidência interina da África do Sul.

Sem esclarecer se vai ceder ao ultimato do ANC, Zuma insistiu ao longo da entrevista à SABC não compreender a urgência colocada na sua demissão: “Preciso de ser informado sobre o que fiz. Porquê tanta pressa?”.
Sucessão

O poder de Zuma tem vindo a diminuir desde que Cyril Ramaphosa lhe sucedeu à frente do ANC, ficando bem posicionado para se tornar chefe de Estado na África do Sul nas eleições do próximo ano, podendo, desta forma, desviar as atenções dos casos de corrupção e centrar tudo na sucessão.

Ramaphosa, aliás, fez do combate à corrupção governamental uma das prioridades durante a pré-campanha e a campanha para a liderança do ANC.

Em causa está sobretudo determinar a extensão de eventuais crimes cometidos pelos três irmãos Gupta, a poderosa família de origem indiana que domina os negócios na África do Sul e que está também a ser investigada pelos serviços secretos do FBI.

Além das acusações de que Zuma esteja a favorecer as atividades empresariais dos irmãos, o FBI está a investigar sobretudo fluxos de caixas suspeitos, enviados pelos Gupta diretamente da África do Sul para o Dubai e para os Estados Unidos.

A oposição sul-africana considera que Ajay, Atulk e Rajesh Gupta asseguraram junto de Zuma importantes posições na administração sul-africana, pagando somas avultadas em dinheiro e permitindo ganhar concursos públicos no valor de centenas de milhões de dólares.

Desde 2016 que quer Zuma quer a família Gupta negam quaisquer ilegalidades, afirmando-se, ambos, vítimas de uma “caça às bruxas”. (RTP)

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