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Cruz Vermelha exige acesso a reduto rebelde bombardeado pelo governo sírio

O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) exigiu nesta quarta-feira (21) acesso à Guta Oriental, reduto rebelde perto da capital síria e que o governo bombardeou pelo quarto dia consecutivo, matando ao menos 50 civis.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, exigiu junto ao Conselho de Segurança a suspensão “imediata” dos combates nesta região.

Desde domingo, a nova campanha aérea de ataques com bombas e barris de explosivos contra Guta Oriental deixou 320 civis mortos, entre eles 76 crianças e 45 mulheres, e mais de 1.650 feridos, detalhou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Na Guta Oriental, sitiada pelas forças do governo desde 2013, vivem cerca de 400 mil pessoas em condições críticas, com casos de desnutrição.

“Devem autorizar nossas equipes para que cheguem à Guta Oriental e socorram os feridos”, declarou em comunicado Marianne Gasser, representante do CICV na Síria.

As equipes médicas “são incapazes de fazer frente a este grande número de feridos e não há remédios nem material médico suficientes na região”, assinalou Gasser.

Nesta quarta-feira, os bombardeamentos custaram a vida de pelo menos 50 civis, incluindo oito crianças, e feriram mais de 350, de acordo com o OSDH. Os ataques atingiram várias localidades, principalmente Hamuriyé e Kfar Batna. Além das bombas, os aviões lançaram barris de explosivos, um método denunciado pela ONU e por ONGs internacionais, de acordo com o OSDH.

– Cavar a própria cova –

Os bombardeamentos alcançam vários hospitais.

“O governo pretende apontar contra grupos armados (…), mas na realidade aponta somente contra os civis!” – denunciou Ahmed Abdelghani, um médico que trabalha nos hospitais de Hamuriyé e Arbin, bombardeados.

“Isso é um hospital civil (…) Por que o governo aponta para nós?” – acrescentou.

“Tentamos evacuar dezenas de feridos e transferi-los a outros hospitais, mas ainda não pudemos sair por causa da intensidade dos bombardeamentos”, indicou à AFP Abu Ibrahim, médico do hospital de Saqba, atingido na segunda e quarta-feira pelos bombardeamentos.

“Nos escondemos nos cemitérios. É como se cavássemos nossa própria cova antes de morrer”, contou Amal Al-Wuhaibi, uma vizinha de Duma.

Na terça-feira, a aviação russa bombardeou a Guta Oriental pela primeira vez em três meses, indicaram o OSDH e o grupo islamita Jaish al-Islam, uma das duas formações rebeldes da região. Moscovo desmentiu a afirmação.

A nova campanha aérea contra Guta Oriental começou no domingo após a chegada de reforços visando uma iminente ofensiva terrestre que ainda não começou.

O governo quer reconquistar essa área, de onde os rebeldes disparam obuses contra Damasco.

A Guta Oriental é o último reduto controlado pelos rebeldes perto da capital síria.

Nos últimos meses, o governo conseguiu retomar o controle de várias localidades dos arredores de Damasco mediante os chamados acordos de reconciliação, que implicam a evacuação dos combatentes em troca do fim dos bombardeamentos e do cerco.

Antes da Guta Oriental, várias zonas rebeldes, como a cidade velha de Homs, em 2012, e Aleppo, em 2016, foram esmagadas pelas bombas e submetidas a um cerco asfixiante, obrigando os rebeldes a entregar as armas e provocando a fuga dos civis. (AFP)

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