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“Captura” dos restos mortais de Savimbi demonstra que ódio entre angolanos ainda não terminou – UNITA

A “captura” dos restos mortais de Jonas Savimbi, morto em combate a 22 de Fevereiro de 2002, é a demonstração de que o ódio entre os irmãos angolanos ainda não terminou, lembra a UNITA numa nota a propósito da celebração de mais um aniversário da morte do antigo líder do “Galo Negro”.

Esta posição consta de uma declaração da direcção da UNITA enviada ao Novo Jornal Online onde o partido relembra a morte do seu antigo líder e fundador, ocorrida há 16 anos na comuna de Lucusse, província do Moxico, em confronto com as forças governamentais, tendo a sua morte precedido o fim da guerra.

A impossibilidade até hoje de transladar os seus restos mortais para a sua terra natal, de acordo com a direcção da UNITA, “simboliza a necessidade imperiosa de uma reconciliação nacional genuína e inclusiva, como premissa para a construção da verdadeira paz e da unidade nacional, pilares fundantes da Nação livre, unida e democrática, almejada por todos os angolanos”.

“A UNITA convida todos os angolanos a reflectirem, patrioticamente e sem paixões, sobre como podemos aproveitar o legado de Jonas Savimbi para corrigirmos agora os males que ele combateu e que ainda nos perseguem, que nos impedem de construir o futuro de paz e de prosperidade para todos”, lê na declaração distribuída à imprensa.

Para a direcção da UNITA, ” Jonas Savimbi combateu a cultura do medo, da ignorância e da subordinação dos povos africanos à identidade europeia”.

“Combateu vigorosamente a exclusão, a aculturação dos angolanos e a sua divisão em angolanos de primeira e angolanos de segunda, combateu o desprezo pelas línguas nacionais; combateu de forma consistente a corrupção, o peculato e a impunidade; combateu, enfim, o tribalismo, as assimetrias regionais, a intriga e a indisciplina”, acrescenta a nota.

De acordo com o partido do “Galo Negro”, “honrar a memória de Jonas Malheiro Savimbi “significa estabelecer imediatamente as autarquias locais para permitir o surgimento, nos municípios, de governos autónomos emanados do povo, eleitos pelo povo e que governem para o povo”.

“Significa fiscalizar e auditar a dívida pública, reduzir a inflação, parar com os roubos e com a impunidade daqueles que utilizam o Estado para se governarem para si próprios”, refere o texto, salientando que urge “canalizar os investimentos produtivos para o interior do país, parar o crescimento anárquico de Luanda e promover a criação de cidades ecológicas, economicamente sustentáveis”.

O documento salienta por outro lado que, “honrar hoje a memória de Jonas Savimbi expressa promover a transformação radical da estrutura da economia política de Angola, do sistema de educação, do sistema de saúde, dos sistemas de produção e do sistema de segurança social”.

UNITA vê novas possibilidades no horizonte

No entanto, apesar desta posição, o porta-voz do partido, Alcides Sakala, admitiu recentemente existirem sinais do novo Executivo em dar o aval para a realização de um funeral condigno de Jonas Savimbi, mas adiantou ao Novo Jornal Online não existir nada formal, por enquanto.

“Existem sinais desencontrados a esse respeito que podem ser entendidos como indicadores de intenção, mas não existe nada formal, por enquanto”, disse ao Novo Jornal Online Alcides Sakala, quando questionado sobre o aniversário da morte de Jonas Savimbi a assinalar-se a dia 22 de Fevereiro.

A direcção da UNITA continua empenhada em realizar um funeral condigno do presidente fundador, Jonas Savimbi, já que alguns passos foram dados, ainda no consulado do Presidente José Eduardo dos Santos.

“Espera-se que na conjuntura actual sejam restabelecidos os contactos com quem de direito para se retomar esse processo. É desejo da família e da direcção da UNITA que esse processo conheça o seu fim tão cedo quanto possível”, acrescentou.

Interrogado sobre qual é o receio do Governo autorizar o funeral de Jonas Savimbi, Sakala respondeu que “tudo é uma questão de tempo e, mais cedo ou mais tarde, os dirigentes e quadros da UNITA, assassinados em Luanda e noutras partes do país, terão funerais condignos”.

“Em África, um óbito só termina quando os familiares enterraram os seus entes-queridos. Um princípio sagrado, de culto e respeito pelos mortos, consagrado culturalmente ao longo de séculos de vivência e convivência entre povos africanos”, recordou Alcides Sakala.

Para o porta-voz do “Galo Negro”, o partido mantém a esperança, assim como as expectativas de solução, tão cedo quanto possível, de todas as questões ainda não resolvidas.

“O conflito entre angolanos terminou há muito tempo, o que exige, de facto, um desfecho definitivo de todo este processo para tranquilizar a vida das famílias enlutadas que continuam a exigir os restos mortais dos seus entes queridos”, observou.

Com as celebrações do dia 22 de Fevereiro, sob o lema “Dr. Savimbi uma vida por Angola e pelos angolanos”, a direcção da UNITA leva a cabo um ciclo de conferências sobre a vida do fundador que terão lugar em todo o país.

Este ciclo de conferências, segundo Alcides Sakala, termina no dia 13 de Março, e, nesse dia, a UNITA completa 52 anos de existência.

Segundo informações que chegaram a circular, as autoridades angolanas comprometeram-se a entregar, no ano de 2016, os restos mortais de Jonas Savimbi, do seu sobrinho Salupeto Pena, e do antigo Vice-Presidente da UNITA, Jeremias Chitunda, mortos nos confrontos pós-eleitorais, em 1992.

Segundo relatos não oficias, Jonas Savimbi foi inicialmente enterrado no cemitério municipal do Luena, a 24 de Fevereiro, numa cerimónia distanciada dos procedimentos tradicionais pretendidos pela família.

Jonas Savimbi, segundo dados oficiais, morreu em combate no dia 22 de Fevereiro de 2002, na região do Lucusse, e o seu corpo foi formalmente sepultado na cidade do Luena, capital da província do Moxico.

A vontade da família é que o fundador da UNITA seja sepultado na sua terra natal. (Novo Jornal Online)

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