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Intervenção militar no Rio de Janeiro será laboratório para o Brasil

A intervenção militar no Rio de Janeiro, que deixou a ordem pública neste Estado brasileiro nas mãos do exército, será usada como um “laboratório” para todo o país, disse esta terça-feira o oficial que comanda a operação.

“O Rio de Janeiro é agora um laboratório para o Brasil. Se vai ser expandido para o resto do país o que faremos aqui não cabe a mim responder”, afirmou o general Walter Braga Netto na primeira conferência de imprensa em que participou sozinho como comandante nomeado pelo Governo federal brasileiro.

Braga Netto respondeu a algumas perguntas, mas deixou muitas dúvidas e não anunciou nenhuma ação ou plano específico para conter o recrudescimento da violência no Rio de Janeiro. A primeira aparição do general perante os jornalistas coincidiu com a posse de Raul Jungmann no cargo de ministro de Segurança Pública, pasta recém-criada para coordenar o apoio do Governo brasileiro a outros Estados.

A intervenção do exército no Rio de Janeiro foi decretada pelo Presidente Michel Temer em fevereiro após o Carnaval, em que a capital do Estado registou diversos casos de violência. O mandato termina no final deste ano.

No ano passado no Rio de Janeiro foram registadas 6.731 mortes violentas, incluindo mais de 100 policias e 10 crianças, atingidas por “balas perdidas”.

De acordo com o general Braga Netto, a missão dos militares será a de fortalecer a segurança com operações específicas por um período de tempo específico, uma vez que a intenção é recuperar a capacidade operacional e a credibilidade da polícia local.

“O objetivo é o que está no decreto presidencial: recuperar a capacidade operacional dos órgãos de segurança pública e baixar as taxas de criminalidade”, afirmou.

Braga Netto, que entre 2014 e 2015 comandou uma ocupação militar da Maré, um dos maiores complexos de favelas da capital carioca, descartou que vá acontecer esse tipo de intervenção novamente. “Não há planos para ocupações militares permanentes em favelas dominadas por grupos criminosos”, disse.

“Vamos apoiar prontamente quando a polícia entrar numa favela para fazer uma prisão ou cumprir qualquer ordem judicial. Vamos ajudar a polícia a agir com calma na comunidade”, acrescentou. Neste sentido, o general explicou que os militares vão manter o mesmo papel que o Presidente Temer ordenou quando enviou 10 mil soldados para reforçar a segurança do Rio de Janeiro no ano passado.

“Não há mudanças no momento, as Forças Armadas já participam neste tipo de operações dando suporte, cada órgão continuará a desempenhar seu papel”, afirmou.

Braga Netto acrescentou que, desde a sua nomeação, conversou com os chefes dos órgãos de segurança do Rio de Janeiro, que manteve nos respetivos cargos para obter um diagnóstico da situação e determinar um plano de ação de molde a reduzir o avanço do crime organizado.

“Inicialmente vamos garantir os projetos que já estão em andamento e organizar uma presença policial mais eficaz nas ruas para melhorar a perceção de segurança da população”, disse Braga Netto, que insistiu que, apesar do aumento da violência, o modelo de segurança pública no Estado enfrenta problemas, mas não deixou de funcionar.

Questionado sobre a corrupção na polícia, o oficial disse que a sua intenção é “fortalecer os órgãos de supervisão e tomar as medidas necessárias para que o bom profissional seja valorizado e o mau penalizado”.

De acordo com as estatísticas divulgadas no dia anterior pelo Ministério Público, 20% das 5.219 pessoas denunciadas nos últimos anos por vínculos com o crime organizado no Rio de Janeiro são membros das forças de segurança.

Na sua breve conferência de imprensa, Braga Netto deixou várias perguntas por responder, entre elas as relacionadas com as denúncias contra os militares por violações de direitos humanos já registadas nas operações da semana passada. (Observador)

por Lusa

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