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Mercado informal de dólares de Luanda está a convergir com o câmbio oficial

O preço para comprar divisas nas ruas de Luanda voltou a descer na última semana, em sentido contrario à depreciação do kwanza angolano face às moedas europeia e norte-americana, aparentando assim uma convergência entre os mercados oficial e informal.

Numa ronda feita por alguns dos bairros da capital angolana, as ‘kinguilas’, como são conhecidas as mulheres que se dedicam à compra e venda de divisas na rua, transacionam um dólar por cerca de 420 kwanzas (1,60 euros), contra os 475 kwanzas (1,80 euros) do final de janeiro.

“Não há kwanzas no mercado, por isso o preço do dólar e do euro não sobe”, explicou uma dessas ‘kinguilas’, em declarações à Lusa, sobre o facto de apesar de continuar a ser escassa a quantidade de divisas nos bancos o preço no mercado paralelo não disparar, como aconteceu em meses anteriores.

Já o euro é hoje transacionado na rua, em bairros como a Mutamba ou São Paulo, a cerca de 520 kwanzas (dois euros), contra os 580 kwanzas (2,20 euros) do final de janeiro.

“Se não temos kwanzas, não podemos fazer negócio. Não sobe o dólar, nem o euro nem o kwanza”, acrescentou outra destas mulheres, que vendem divisas nas ruas de Luanda.

A retirada de dinheiro de circulação física tem sido uma medida adotada pelo Banco Nacional de Angola (BNA) para conter a escalada da cotação do euro e do dólar no mercado informal, alternativo, embora ilegal e a preços especulativos, para angolanos e expatriados que não conseguem comprar divisas aos balcões dos bancos, face à crise cambial.

Durante o mês de janeiro, no mercado de rua, negócio que a polícia angolana tenta combater, o custo da nota de dólar tinha aumentado quase 20% e a de euro 15%, segundo os cálculos feitos pela Lusa, tendência que desde o início de fevereiro está a ser invertida.

Em agosto último, por altura das eleições gerais angolanas, a compra de cada dólar norte-americano estava em mínimos de 2017, rondando os 370 kwanzas (1,40 euros).

Desde que a moeda europeia passou a ser a referência para o mercado de câmbios de Angola, no novo regime flutuante cambial, a 09 de janeiro, a moeda angolana já acumula uma depreciação de cerca de 30% para o euro, que vale 262 kwanzas (um euro) na compra (pelos clientes), e 22% para o dólar, que custa 212 kwanzas (0,80 cêntimos), segundo cálculos feitos pela Lusa com base nas taxas cambiais divulgadas pelo BNA.

Desde o primeiro trimestre de 2016 – até ao início de janeiro deste ano – que a taxa de câmbio oficial definida pelo BNA não sofria alterações, nos 166 kwanzas por cada dólar norte-americano e nos 186 kwanzas por cada euro.

A cotação passou, entretanto, a resultar dos leilões de divisas realizados pelo BNA, no âmbito do novo modelo de definição da taxa de câmbio em função das propostas apresentadas pelos bancos, mas que passou a ser limitada a uma variação máxima, por leilão, de 2%, para travar a especulação cambial.

No modelo anterior, a cotação era fixada diretamente pelo BNA e o novo regime flutuante cambial começou a ser aplicado numa altura em que as Reservas Internacionais Líquidas do país estão em mínimos históricos, inferiores a 12.000 milhões de euros, devido à crise da cotação do petróleo. (Jornal de Negócios)

por Lusa

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