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Cabo Verde desperdiça oportunidades de exportação para os EUA disponíveis há 18 anos

Cabo Verde desperdiça oportunidades de exportação para os EUA no âmbito do programa AGOA, que há 18 anos prevê isenção aduaneira a mais de seis mil produtos de países africanos, disseram hoje fontes oficiais na cidade da Praia.

A constatação foi feita pelo ministro da Indústria, Comércio e Energia, Alexandre Monteiro, a presidente da Cabo Verde TardeInvest, Ana Barber, e o embaixador dos EUA, Donald Heflin, durante um workshop sobre o programa “Crescimento e Oportunidades para a África – AGOA” (African Growth and Opportunity Act), criado há 18 anos pelos Estados Unidos da América.

O programa prevê que 40 países africanos exportem para o mercado norte-americano, sem custos aduaneiros, mais de 6.000 produtos, além apoiar os países africanos nos seus esforços de construção de mercados livres e de abertura das suas economias ao comércio internacional.

O programa, de incentivo ao crescimento económico em África e a sua integração na economia mundial, foi alargado em 2015 pelo Governo norte-americano por 10 anos.

Cabo Verde é um dos países beneficiários, mas o ministro Alexandre Monteiro disse que, 18 anos após a sua adoção, o arquipélago ainda não está a aproveitar essa janela de oportunidade.

“O programa, para alguns países, tem-se revelado um mecanismo eficaz e oportuno para fazer crescer as suas economias. No nosso caso, estamos ainda a dar os primeiros passos, 18 anos depois da publicação”, indicou o ministro.

Para tirar partido do programa, Alexandre Monteiro disse que o Governo cabo-verdiano vai criar um “ambiente altamente competitivo” para “produzir mais” e exportar.

“As oportunidades oferecidas pela AGOA só resultarão se formos capazes de produzir e colocar esses produtos no mercado norte-americano. Por mais que haja boa vontade, de nada vale, se não for criado esse ambiente altamente competitivo”, sustentou o governante.

O ministro da Indústria, Comércio e Energia cabo-verdiano apelou também à união de esforços de outras entidades, como o setor privado e a sociedade civil, para aproveitar essa “derradeira oportunidade” de tirar partido do programa que termina dentro de cerca de sete anos.

No seu discurso de abertura do workshop, Alexandre Monteiro apontou algumas medidas de política económica e fiscal que o Governo pretende adotar para promover e desenvolver a indústria, o comércio interno e externo e alavancar o setor dos serviços.

Uma das medidas é o Centro Internacional de Negócios (CIN), cujo diploma regulamentar foi aprovado recentemente pelo Governo e onde empresários nacionais e investidores com capacidade de exportação podem instalar-se e aproveitar as condições e benefícios do AGOA.

A presidente da TradeInvest, Ana Barber, informou que, em 2017, nove empresas cabo-verdianas exportaram para os Estados Unidos, mas nenhuma o fez no âmbito do AGOA.

Para que o país possa tirar proveito do programa, Ana Barber adiantou que a agência que dirige pretende realizar algumas atividades ainda este ano, como a adoção de uma estratégia de exportadores, mas também formar produtores e exportadores.

Ana Barber informou que a CV TradeInvest está ainda a criar um diretório de empresas e prestadores de serviços e que este ano vai realizar um festival internacional de aguardente e bebidas espirituosas, para divulgar o mercado nacional junto dos investidores e exportadores.

O presidente da CV TradeInvest disse que o país tem produtos que podem ser exportados, mas que ainda é preciso qualificar esses produtos, criar outros, promovê-los e facilitar a sua exportação, “quebrando os obstáculos” a nível logístico ou administrativo.

“O que temos de fazer neste momento é economizar este tempo perdido e aproveitá-lo ao máximo. A oportunidade existiu sempre, mas ela tem agora de ser explorada de outra forma”, insistiu a presidente, dizendo que, além dos EUA, Cabo Verde pode exportar para outros países.

Numa sala de empresários e outros especialistas, o embaixador dos Estados Unidos em Cabo Verde, Donald Heflin, disse que a cooperação entre os dois países tem dado “bons frutos”, em os destaques são os dois Compacto do MCA, de apoio norte-americano a Cabo Verde.

O diplomata considerou, entretanto, que os dois países precisam de reforçar as trocas bilaterais e que Cabo Verde precisa criar “mais dinâmica económica” para responder às demandas globais e aproveitar as vantagens do AGOA. (Diário de Notícias)

por Lusa

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