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Emigrantes cabo-verdianos queixam-se da falta de cartão de residente

A falta de cartão de residente, concessão de vistos de trabalho, a atribuição de espaços para construção de moradias unifamiliares e pensão de reforma em tempo integral de serviço constitui, de entre outras, as preocupações da comunidade cabo-verdiana residente no Lubango, província da Huíla, apresentadas sábado ao seu embaixador em Angola, Jorge Figueiredo.

A preocupação foi manifestada à imprensa pela responsável da comunidade, Alice dos Santos, no final de um encontro mantido com o embaixador daquele país em Angola, Jorge Figueiredo, que concluiu hoje a visita de quatro dias à Huíla.

Segundo ela, uma das preocupações manifestadas ao embaixador tem a ver igualmente com a criação de cooperativas agrícolas para a prática da agricultura familiar, visando o seu auto-sustento, bem como um fundo que vele pela situação de pessoas com doenças graves dentro ou fora do país.

Considerou que muitos destes cabo-verdianos residem em Angola desde antes da independência e alguns tiveram a oportunidade de trabalhar em regime de contrato e não tinham um nível académico avançado e tornaram-se vulneráveis a todos níveis, sendo que hoje estão com a documentação caducada.

“A comunidade tem feito algum esforço junto da embaixada de Cabo Verde, na perspectiva de resolver vários problemas que apoquentam os cabo-verdianos residentes nesta parcela do território angolano, evitando que se desloquem à Luanda para obter resposta de certas necessidades”, disse.

Ao reagir sobre o assunto, o embaixador Jorge Figueiredo, considerou que todos assuntos daí manifestados vão ser resolvidos a curto e médio prazo.

Em seu entender, a comunidade cabo-verdiana está bem integrada em Angola e nunca teve problemas do seu expatriamento, sendo que a questão de pensões de reforma equivalente a usd 20 dólares também será resolvida brevemente.

O diplomata defendeu igualmente a necessidade da criação de associações que defendam os interesses da comunidade cabo-verdiana residente no país no que for necessário, com realce para a criação de iniciativas empreendedoras e contribuir para o seu auto sustento.

Relativamente a situação do cartão de residente, Jorge Figueiredo sublinhou que a embaixada está a trabalhar há algum tempo com as autoridades angolanas, mormente com o Serviço de Migração Estrangeiros (SME), para que rapidamente seja emitido, permitindo que os cabo-verdianos possam viajar à sua terra e regressar Angola sem sobressaltos.

Acrescentou que, a par disso, a embaixada aguarda a qualquer momento a chegada de um kit que permitirá o levantamento dos dados biométricos dos cabo-verdianos residentes em Angola, que permitirá estabelecer o número estatístico exacto dos mesmos.

“Com base no sistema informático a ser instalado, as pessoas terão oportunidade de tratar o bilhete de identidade, passaporte, pedido de vistos, de entre outros documentos, com mais brevidade, sem deslocarem-se à Luanda, onde estão concentrados todos serviços a favor da comunidade cabo-verdiana”, disse.

Anunciou que o projecto arranca já na segunda quinzena de Maio do corrente ano.

A visita de quatro dias à cidade do Lubango enquadra-se na estratégia de contacto da sua embaixada com a comunidade cabo-verdiana, assim como uma reunião com a classe empresarial huilana, visita a reitoria da Universidade Mandume Ya Ndemofayo e alguns pontos turísticos da localidade. (Angop)

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