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Malária mata 4 crianças por semana na pediatria do Huambo

Os casos de malária grave associados à anemia, dispararam na única unidade hospitalar do Huambo. A unidade vocacionada para o tratamento de crianças enfrenta sérias dificuldades, desde a falta de espaço e de outros meios de trabalho. Pacientes, com idades compreendidas entre os 0 e os 5 anos de idade, são os que mais solicitam os serviços do banco de urgência. Diariamente internam acima de 60 crianças por malária grave. O director clínico, Nicolau Sachobongue, afirma que este aumento deve-se à epidemia que assola a província desde os últimos dois anos. Entre os casos registados, os que mais têm “tirado o sono aos serviços hospitalares” são aqueles em que os pacientes apresentam um quadro clínico avançado, com desidratação severa, dispneia e outras disfunções, daí requererem uma atenção especial.

Face a este quadro, o índice de mortalidade tem-se agravado de forma assustadora, numa média de “3 a 4 falecimentos, sobretudo naqueles casos que apresentam um quadro clínico crítico. Há aquelas crianças que só fazem trinta minutos e acabam logo por falecer”, revelou o responsável da pediatria, Nicolau Sachobongue, para quem a falta de medicamentos essenciais também constitui um dos factores que concorrem para o quadro actual. “Os familiares são obrigados a recorrer às farmácias privadas.

A maioria das famílias são de renda baixa e nem sempre têm disponibilidade financeira”, frisou o médico. Entretanto, as autoridades sanitárias consideram a situação como crítica e recomendam o reforço das medidas de prevenção, pela via da adopção de medidas multidisciplinares que visam conter a propagação do vector da doença. Sachobongue exortou a população a fazer uso de mosquiteiros impregnados, não reservar água em tanques e evitar cultivar o milho em quintais de residências, prática muito habitual no planalto central, visando conter a multiplicação do mosquito. Paralelamente, o interlocutor ressaltou a importância do diagnóstico precoce para evitar que os pacientes cheguem ao hospital em estado grave e em risco de vida. Para si, o Ministério da Saúde na província deve reforçar a sua intervenção multidisciplinar com equipas de destruição de larvas, sensibilização no âmbito do programa educação para Saúde e também com campanhas de fumigação intra-domiciliar.

Sobrelotação dá lugar ao fenómeno ‘cama-chão’

A unidade com capacidade de 160 camas para internamento, triplicou para uma taxa de ocupação de 300 por cento. Várias crianças internadas encontra-se deitadas no chão por falta de espaço e camas. “Hoje temos 397 doentes, o que significa que estamos com uma taxa de ocupação, superior a 300 por cento”, referiu Sachobongue, tendo justificado que a taxa normal de ocupação deveria rondar os 80 por cento. Como alternativa, explicou, são obrigados a depositar quatro crianças na mesma cama, mesmo conscientes de que a prática constitui perigo quando as mesmas padecerem de doenças infeto- contagiosas. OPAÍS apurou que só no mês passado, acima de 600 casos de malária deram entrada no banco de urgência, quando está em perspectiva a criação de um espaço alternativo para enfrentar os casos de “cama-chão”. “Temos enfrentado muitas dificuldades sobretudo no manuseio. Mas, não temos muitas alternativas” salientou.

Faltam médicos e enfermeiros

Outra preocupação prende-se com a falta de recursos humanos. O número actual de médicos e enfermeiros que a unidade possui é insuficiente para a demanda. Dispomos de pouco menos de 13 médicos para atender centenas de pacientes por dia. Embora existam alguns técnicos especializados, a pediatria tem contado com o reforço de estudantes estagiários, que ao concluírem a formação, regressam às suas zonas de origem. “Precisamos de mais 25 médicos”, enumerou o director. Este cenário, que se assiste um pouco em todo o país, verifica-se numa altura em que o Presidente da República, João Lourenço, acaba de orientar a titular da Saúde, Sílvia Lutukuta, no sentido de se efectuar um novo concurso público no sector ainda este ano visando minimizar este défice no país. (O País)

por Norberto Sateco

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