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Presidente do parlamento propõe Puigdemont para dirigir Governo regional

O novo presidente do parlamento catalão, Roger Torrent, propôs, esta segunda-feira, em Barcelona, o nome do líder separatista Carles Puigdemont para voltar a dirigir o Governo da Catalunha, apesar de todos os obstáculos jurídicos que isso implica.

Roger Torrent, um independentista empossado há duas semanas, quando prometeu privilegiar o “diálogo” entre as forças parlamentares, tomou esta decisão depois de se ter encontrado com todos os partidos com assento na assembleia regional.

O bloco de partidos independentistas tem a maioria dos assentos no parlamento da Catalunha e o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, avisou na semana passada que Madrid irá manter a sua intervenção na Catalunha no caso de Carles Puigdemont tentar regressar ao poder na região.

Numa declaração oficial, Roger Torrent sublinhou que a candidatura de Puigdemont é “absolutamente legítima”, o único nome proposto pelos partidos e o que conta com “mais apoios”, tendo acrescentado que está “consciente da situação pessoal e judicial” do ex-presidente do Governo catalão.

Farei “tudo o que esteja ao meu alcance” para proteger os direitos de “participação política” de todos os deputados da câmara, disse Torrent.

Os dois principais partidos independentistas catalães – o Juntos pela Catalunha (centro direita) e a Esquerda Republicana da Catalunha – apoiam a candidatura de Puigdemont para a presidência do Governo regional (Generalitat).

Roger Torrent também anunciou ter pedido um encontro com o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, para lhe explicar a situação no parlamento regional e revelou que pretende visitar os três deputados independentistas presos em Espanha e os refugiados na Bélgica, entre eles Carles Puigdemont.

Refugiado voluntariamente em Bruxelas desde 30 de outubro do ano passado, Puigdemont viajou hoje até Copenhaga para participar num colóquio e arrisca-se a ser preso neste país.

A justiça espanhola desistiu de pedir a extradição da Bélgica do ex-presidente da Catalunha para evitar a divergência de interpretação entre juízes belgas e espanhóis sobre a gravidade dos delitos de que é acusado, nomeadamente o de rebelião.

O Ministério Público pediu esta manhã ao juiz do Supremo Tribunal para voltar a emitir um mandato europeu de detenção para aproveitar a estadia de Puigdemont na Dinamarca, um país europeu que facilita este tipo de procedimentos.

Carles Puigdemont é acusado pela procuradoria-geral espanhola de delitos de rebelião, sedição e peculato na sequência da tentativa de criar um estado independente de Espanha.

Se o ex-presidente regional regressar a Espanha será imediatamente preso e no caso de continuar em Bruxelas terá de ser investido à distância, o que os serviços jurídicos do parlamento regional já consideraram ser contrário à Constituição.

No caso de os separatistas o conseguirem eleger, o Governo espanhol e a oposição regional tudo farão para bloquear a tomada de posse.

“Permitir que alguém seja investido ou queira ser investido presidente do Governo catalão estando em Bruxelas é ilegal”, avisou no sábado Mariano Rajoy.

As eleições catalãs de 21 de dezembro foram convocadas pelo chefe do Governo espanhol no final de outubro, no mesmo dia em que decidiu dissolver o parlamento da Catalunha e destituir o executivo regional presidido por Carles Puigdemont por ter dirigido o processo para declarar unilateralmente a independência da região. (Jornal de Notícias)

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