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Trabalhadores da ENP pedem intervenção do PR: “Presidente JLO, o senhor também é humano, sente fome e sede, por favor resolva o nosso problema”

Quem entra na Empresa Nacional de Pontes (ENP) encontra logo cartazes afixados exigindo o pagamento dos salários de quatro anos. São mais de 420 trabalhadores da empresa pública de construção e reparações de pontes, em Angola, sem salários há 51 meses, e nem mesmo as vigílias realizadas pelos trabalhadores têm resultado junto do Governo.

Os funcionários continuam em vigília nas instalações da Empresa Nacional de Pontes (ENP), onde se reúnem há três meses sob o olhar da administração que não avança com solução do problema.

Os trabalhadores disseram ao Novo Jornal Online que, até ao momento, não foi feito nenhum pagamento, e renovam o grito de socorro para a situação que vivem há quatro anos.

Mateus Alberto Muanza, secretário da Comissão Sindical, disse que já apresentaram todas as dificuldades ao ministro da construção, no sentido de pedir ajuda para resolver a situação da empresa.

“O senhor ministro garantiu que poderia avançar com o pagamento de apenas alguns meses, ainda este ano, e que o resto ficava à espera do OGE 2018. Até agora só foram promessas”, disse, acrescentando: “Senhor ministro, está na hora de resolver o que nos prometeu”.

“Estamos há 51 meses sem salário, esta situação, a cada dia que passa, está a obrigar-nos, e às nossas famílias, a viver um esforço muito grande. Esperamos uma solução, nem que seja o pagamento de quatro ou seis meses de salários, pois a nossa situação está muito precária”, disse.

Mateus Alberto garantiu ao Novo Jornal Online que a comissão sindical já escreveu para a Presidência da República e a todos os órgãos de direito, a expor tal situação, mas não têm visto nenhum resultado.

O líder da comissão sindical sustentou que a direcção da empresa informou apenas que existem muitas facturas pendentes nos ministérios da Construção e das Finanças. Entretanto, os trabalhadores queixam-se de vários problemas que enfrentam.

Isabel Manuel Paulo, funcionária há 27 anos, disse ao Novo Jornal Online que só vivem “porque Deus existe”: “O meu marido está hospitalizado há sete meses, na semana passada, a minha filha foi expulsa da escola, não fez as provas finais, vivemos muito mal, na minha casa não há comida e a energia já foi cortada há três anos, para comer dependo dos vizinhos”, lamentou.

“O meu dia-a-dia é péssimo, muito complicado, não tenho como fazer, principalmente no caso de doenças. Se andamos, é graças a Deus. Há colegas que vivem em casas das famílias e com muitas humilhações, aqueles que tem mulheres jovens já as perderam, não há mulher que aguente este tempo todo sem dinheiro”, disse Fernando Mbundo, de 59 anos, pai de 10 filhos, que já não estudam há dois anos.

“Presidente JLO, o senhor também é humano, sente fome e sede, como nós, por favor resolva o nosso problema”, suplicou Fernando funcionário há 34 anos.

Avelina Kacula da Silva, de 50 anos, funcionária há 25, e cujo marido também é trabalhador na ENP, queixa-se, em lágrimas: “Estamos ao mesmo tempo sem salário, no ano passado morreu uma filha nossa e foram os vizinhos que realizaram o funeral”.

“Vivo nas piores condições, quem sustenta a casa é a minha esposa, que vende na zunga, já é Dezembro. Pelo menos que nos paguem alguns meses para aliviar a nossa angústia, vivemos uma humilhação”, diz Eugénio Kalulemi, operador de máquina há 34 anos.

Marcelino Francisco, chefe de brigada e funcionário há 34 anos, conta ao Novo Jornal Online que “os filhos dos vizinhos comem e festejam o Natal, os nossos já não festejam há quatro anos, nós só queremos que nos paguem alguns meses para cobrir algumas despesas”.

“O senhor ministro disse que no próximo ano será diferente, então pague-nos só quatro meses para podermos passar o Natal com a nossa família”, apelou.

“Ficar assim é muito complicado, a empresas fecha a 22 de Dezembro, devido à quadra festiva. Estamos preocupados, pois não sabemos como fazer”, explicou.

José Henriques, diretor-geral da ENP, contactado pelo Novo Jornal Online para os devidos esclarecimentos, prometeu falar em breve.

De recordar que o ministro da Construção e Obras Públicas assumiu em finais de Outubro, à imprensa, que vai analisar a situação dos trabalhadores da Empresa Nacional de Pontes, mas apelou igualmente ao “diálogo” entre sindicato e administração.

Segundo Manuel Tavares de Almeida, a situação daquela empresa pública foi agravada igualmente pela crise económica e financeira que Angola vive, garantindo mesmo que a empresa tem valores a receber.

O ministro proferiu tais declarações no final de uma visitar as instalações daquela empresa, no município do Cazenga, em Luanda. (Novo Jornal Online)

por Fernando Calueto

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