Políticos acompanham alterações dos paradigmas

Os líderes de partidos políticos têm de fazer a leitura dos tempos, da alteração dos paradigmas e dos novos desafios que se colocam, para evitarem a perpetuação no poder, sob pena de saírem pressionados e macularem o seu mandato devido a longevidade.

Essa opinião é do analista político angolano Osvaldo Mboco quando questionado hoje (domingo), em Luanda, sobre “as crises das sucessões políticas nos partidos africanos”, reiterando que não existem limitações de mandatos dos presidentes dos partidos políticos, podendo uma pessoa candidatar-se para o mesmo cargo, muitas vezes.

“O grande aspecto a ter em linha de pensamento é que nos partidos políticos não existem limitações de mandatos. O que reina é a consciência do próprio presidente para deixar a liderança do mesmo. Mas, aqueles presidentes que concorrem duas ou mais vezes em pleitos eleitorais sem sucessos, devem abdicar para permitir que outras pessoas tentam levar o partido a bom porto”, disse.

Acrescentou que o que permite a renovação de mandatos ao nível do Presidente da República é a vontade popular, porque o mesmo é votado em sufrágio universal, e a nível dos partidos é a vontade dos militantes, mediante uma votação interna.

Por isso, o analista considera fundamental que os políticos acompanham as transformações políticas, sociais e económicas, por formas a saberem se posicionar sobre a eventual permanência ou retirada do cenário político.

Questionado sobre a necessidade dos partidos limitarem os mandatos dos respectivos presidentes, Osvaldo Mboco lembrou que em alguns estados de África, algumas constituições foram alteradas, mediante referendos populares ou acertos políticos nos parlamentos, para permitir a permanência do Presidente no poder, o que não é salutar para a democracia.

“Durante muito tempo, em Angola falava-se da longevidade do Presidente José Eduardo dos Santos, mas se reparar ele deixou a Presidência da República e a situação ao nível dos partidos políticos da oposição não alterou. Isaías Samakuva, Abel Chivukuvuku e Lucas Ngonda concorreram em duas eleições e perderam, mas permanecem no poder. Eduardo Kuangana foi obrigado a não concorrer devido ao estado de saúde”, afirmou.

Na minha opinião, continuou o analista, já é altura de deixarem as lideranças, tendo em conta que vêm de duas derrotas eleitorais, abrindo caminho para uma outra personalidade que possa galvanizar os seus partidos políticos e coligação.

Entretanto, Osvaldo Mboco alertou que as mudanças são positivas, desde que melhoram a performance e a maneira de actuação dos partidos políticos, mediante a agregação de mais militantes e simpatizantes e contribuindo para o bem-estar do país. (Angop)

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Translate »