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Polícia desmantela rede de traficantes de drogas

Pela primeira vez em Angola foi tornada pública a detenção de membros da mesma família por tráfico de drogas, crime em que estão presumivelmente envolvidos uma mulher de 60 anos, três filhos, uma sobrinha e uma neta, apresentados ontem pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC).

As seis pessoas foram detidas há uma semana na moradia em que viviam, no distrito urbano de Talatona, e são acusadas de tráfico de drogas pesadas. Por altura da detenção, estavam na posse de 104 gramas de cocaína, avaliadas em mais de um milhão de kwanzas.

A droga era entregue à família por fornecedores da República Democrática do Congo e da Nigéria e vendida em vários pontos da cidade de Luanda. O suposto envolvimento da família no tráfico de drogas começou há mais de dois anos, quando foi mobilizada por um dos filhos da mulher para ser com ele distribuidora de cocaína em vários pontos da cidade de Luanda. A cocaína chega a Luanda a partir do Brasil, por meio de “correios de droga”, a maioria jovens que, em Luanda, são mobilizados e aliciados pela rede a troco de dinheiro.

A promessa de enriquecimento fácil atrai sobretudo jovens com condição social precária, sobretudo do sexo feminino, porque as mulheres conseguem esconder a droga na cavidade vaginal. Os “correios de droga” transportam também droga no estômago, um procedimento de alto risco. São várias as formas encontradas pelos traficantes para o transporte de droga para Angola, a partir das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

Às vezes, escapam ao controlo das autoridades migratórias e policiais no Aeroporto Internacional “4 de Fevereiro”, mesmo mediante o recurso ao sistema de raio-X.

Além dos seis membros da mesma família, foram apresentados mais oito presumíveis traficantes, sendo cinco estrangeiros e três angolanos. Em posse dos estrangeiros foram apreendidos 100 quilos de cocaína, avaliados em 10 mil milhões de kwanzas, número avançado pelo chefe do Gabinete de Comunicação Institucional e imprensa do Serviço de Investigação Criminal.
O superintendente-chefe António Paim confirmou que os processos-crime correm os trâmites legais, visando levar os presumíveis traficantes a julgamento pelo crime de que são acusados.

O oficial superior pediu aos cidadãos que denunciem casos de tráfico de drogas de que tenham conhecimento nas comunidades em que vivem, deslocando-se ou à esquadra policial mais próxima ou ligando para os terminais telefónicos 997469441 e 222403517.

Realidade angolana
“O tráfico de drogas em Angola é preocupante mas não alarmante”, garantiu ao Jornal de Angola o chefe de secção do Departamento de Combate ao Narcotráfico do Serviço de Investigação Criminal, intendente Carlos Manuel.
O total de 100 quilos apreendidos é revelador da preocupação do Serviço de Investigação Criminal, reconheceu Carlos Manuel, que explicou que uma grama de cocaína é equivalente a dez mil kwanzas e dez gramas a 100 mil kwanzas, daí estar o tráfico de drogas a atrair muitos jovens, devido à obtenção de lucro fácil.

A cocaína é, depois da liamba, a droga mais consumida em Angola, informou o intendente Carlos Manuel, que disse haver, no combate ao tráfico de drogas, uma constante troca de experiências e informação com a Interpol e com as Polícias da República Democrática do Congo e da Nigéria, sendo exemplo disso a detenção, há dias, de um indivíduo com o auxílio da Polícia congolesa. A uma pergunta sobre se o SIC conhece, em Luanda, os locais onde preferencialmente são distribuídas as drogas, o intendente Carlos Manuel respondeu que a cocaína é distribuída em vários pontos da província de Luanda.

“A grande preocupação do SIC é impedir que a droga chegue a Angola, o que não tem sido fácil”, declarou Carlos Manuel, que disse ser Angola também um ponto de passagem de drogas para outros países, dentro de uma estrutura organizada, de que fazem parte “correios da droga”.

O Serviço de Investigação Criminal tem uma base de dados, cuja actualização é feita com a coordenação da representação da Interpol em Angola. Na base de dados estão inclusive nomes de angolanos detidos no estrangeiro, informou o intendente Carlos Manuel.

Embora a cocaína não seja uma droga barata, os principais consumidores são jovens, alertou o oficial do Serviço de Investigação Criminal, que descartou a possibilidade de haver em Angola “barões da droga”.

Quando lhe foi perguntado se o consumo de droga é ou não crime, o responsável respondeu que é uma prática criminosa, fazendo referência à Lei 13/99, de 16 de Agosto, sobre o consumo e tráfico de drogas. Em Angola, um traficante reincidente, se for julgado, pode incorrer numa pena de 16 a 20 anos de prisão. (Jornal de Angola)

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