Orientações da Unesco foram avaliadas no Zaire

Os membros do Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico de Mbanza Kongo reunidos na terça-feira, na sua primeira sessão ordinária, avaliaram o grau de cumprimento do Plano de Gestão e das orientações saídas da 41.ª reunião da Unesco, realizada de 2 a 12 de Julho do corrente ano, em Cracóvia, Polónia, que culminou na inclusão de Mbanza Kongo na lista do Património Mundial da Humanidade.

No encontro presidido pelo coordenador do Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico de Mbanza Kongo, Joanes André, os participantes abordaram, entre outras questões a situação das construções anárquicas no perímetro da cidade histórica e em particular na zona tampão, protegida à luz do projecto “Mbanza Kongo-Cidade a desenterrar para preservar”.

À saída da reunião, o director provincial da Cultura no Zaire, Biluka Nsakala Nsenga, informou que a contenção das construções anárquicas na cidade velha e sobretudo na zona tampão ou perímetro histórico (zona onde se encontram os monumentos, sítios e escavações arqueológicas), é um aspecto para o qual os presentes receberam orientações no sentido de evitar que o fenómeno continue a registar-se.

“Aquelas construções que estão nos locais onde não deviam estar, vamos negociar com os ocupantes a fim de corrigir o erro”, disse Biluka Nsakala Nsenga, que mais adiante realçou que as famílias cujas casas foram demolidas, por altura das escavações arqueológicas, o plenário do Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico de Mbanza Kongo decidiu que as mesmas sejam, futuramente, atribuídas outras residências na centralidade em construção.

“Fomos ainda orientados para acalmar aquelas pessoas cujas casas foram demolidas. Deverão ser indemnizadas com uma outra casa na centralidade”, assegurou.

O director provincial da Cultura no Zaire disse que outro assunto abordado tem a ver com os terrenos ocupados na sequência dos trabalhos arqueológicos. Para a resolução desse problema, a administração municipal de Mbanza Kongo recebeu orientação no sentido de preparar lotes de terrenos para serem distribuídos às famílias afectadas.

Sobre o roteiro turístico do Centro Histórico de Mbanza Kongo, Biluka Nsakala Nsenga esclareceu que o mesmo vai abranger também os restantes cinco municípios, tendo em consideração o passado histórico da própria província, onde pontificam importantes pontos de interesse histórico, cultural e turístico, como é o caso da Ponta do Padrão no Soyo, onde entraram os primeiros portugueses em Angola no longínquo ano de 1482.

“Estamos em crer que os turistas depois de visitarem Mbanza Kongo, hão-de ir também até à Ponta do Padrão (foz do rio Zaire) no município do Soyo, onde se efectivou a entrada dos portugueses em Angola”, disse Biluka Nsakala Nsenga.

O encontro, que serviu igualmente para discutir aspectos inerentes à preparação da primeira edição das festas da consagração de Mbanza Kongo à categoria de Património Mundial da Humanidade, celebradas a 8 de Julho de 2018, analisou ainda o regulamento de peregrinos de países que conformavam o antigo Reino do Congo, no actual território da República Democrática do Congo, República do Congo e do Gabão.

Segundo o director provincial da Cultura no Zaire, a ideia é conformar o regulamento de peregrinação com a legislação em matéria do turismo vigente em Angola.

Os participantes ao encontro receberam também informações sobre o atelier de prevenção de riscos e desastres dos bens do Património Mundial em África, realizado nos Camarões, enviados por especialistas, sendo um da direcção provincial da Cultura e outro efectivo dos serviços de Bombeiros e Protecção Civil.

Criado pelo decreto presidencial n.º 178/15, de 28 de Setembro, o Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico de Mbanza Kongo coordenado pelo governador do Zaire, Joanes André, tem, entre outras incumbências, garantir a implementação do plano de gestão e conservação do sítio mediante um modelo participativo e inclusivo de todas as partes interessadas. (Jornal de Angola)

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