MPLA coloca em “Stand By” saída de JES em 2018

A direcção do MPLA ainda não decidiu sobre a realização de um congresso extraordinário, tendo em vista o anúncio do líder do partido, José Eduardo dos Santos, de abandonar a vida política activa no próximo ano.

“A lógica é que estamos em 2017 e 2018 tem 365 dias. Assim que esta questão estiver na agenda vamo-nos pronunciar e comunicar aos militantes”, declarou o secretário do bureau político para a Informação, Norberto Garcia, em conferência de imprensa na sede do partido, para a qual aos jornalistas nacionais e estrangeiros não foi exigido credenciamento.

Os congressos, acrescentou, são realizados sempre que há necessidade de substituir o líder do partido ou abordar matérias que sejam importantes à organização política. Para Norberto Garcia, o processo de mudanças no país é uma experiência nova e o MPLA não tem nenhum receio de as implementar.

Norberto Garcia disse que o presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, é o líder dessas mudanças, enquanto o Presidente da República, João Lourenço, implementa as políticas do partido.

Segundo Norberto Garcia, o partido e o líder acompanham o processo de transição no país, que decorre de forma urbana e normal.
O MPLA, acrescentou, tem uma Moção de Estratégia do líder e um programa de governação sufragado nas eleições gerais de Agosto último e a estratégia de governação do Presidente da República está na base desta acção. “Há uma combinação perfeita. Uma orquestra sinfónica, em que o maestro da orquestra está a comandar a mesma por forma que o processo seja certo e consequente”, afirmou.

Nesta óptica, Norberto Garcia pediu aos diferentes órgãos de comunicação social para informarem com verdade e responsabilidade, e não entrarem na lógica do sensacionalismo.

Norberto Garcia descartou a existência de uma crise política no seio do partido. “O partido tem uma coesão inimaginável”, afirmou, lembrando que o MPLA sempre foi um partido uno e indivisível, que valoriza a crítica e a autocrítica, bem como a votação para a solução das questões divergentes.

Corrupção e nepotismo

O secretário do bureau político do MPLA para a Informação assegurou que o partido vai apoiar “de forma incondicional” o Presidente João Lourenço no combate à corrupção e repatriamento de capitais de angolanos depositados em bancos no estrangeiro.
Norberto Garcia negou as alegações segundo as quais a maioria das pessoas detentoras de capitais no estrangeiro sejam do MPLA porque não foi feito um diagnóstico para se chegar a esta conclusão. “Não sei se estas pessoas são maioritariamente do MPLA. Há quem diga que sim, mas outros dizem que não. Não sei se está feito o diagnóstico para que possamos avaliar dessa forma”, declarou.

Sobre o nepotismo, o responsável partidário considerou existir algum exagero na interpretação do fenómeno no país. “A qualificação do indivíduo é o elemento essencial de diferenciação para dar nota que estamos em presença de uma situação de nepotismno”, explicou Norbertro Garcia, acrescentando que se o indivíduo tem qualificação e “curriculum” pode e deve ser chamado a exercer determinado cargo, porque ao contrário estaremos a violar um direito de outrem.
Apontou como exemplos práticos os casos do actual Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, e do antigo Chefe
de Estado da França, Nicolás Sarkozy.
O primeiro porque trabalha com a filha e o genro, enquanto o segundo tinha o filho a trabalhar no Fundo Soberano. (Jornal de Angola)

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