Movicel diz haver espaço para quatro operadores móveis em Angola

A entrada de novos operadores móveis em Angola será uma mais-valia para o sector das telecomunicações no País, afirmou nesta semana, em Luanda, a directora comercial da operadora.

Emanuela Ghini, que falava numa conferência de imprensa onde a empresa apresentou novos tarifários, defendeu que o aumento da concorrência vai obrigar a que sejam introduzidas melhorias na qualidade dos serviços, tornando o sector mais competitivo e com mais opções para os clientes.

“Os novos operadores serão um estímulo para nós e para o próprio sector das telecomunicações, a fim de trabalharmos melhor e oferecermos serviços bons e inovadores”, referiu. A responsável admitiu que, apesar de os investimentos serem avultados numa fase inicial, a abertura do mercado é uma medida que “precisa de ser tomada, se Angola quiser crescer neste segmento”.

“Acredito que o mercado angolano tem espaço suficiente para uma quarta operadora. É claro que os investimentos serão grandes, numa fase inicial, mas, se todo o mundo está a ir nesta direcção, porque é que Angola não pode fazê-lo também?”, questionou a a directora.
Emanuela Ghini reconheceu, contudo, que, para as empresas que possuam uma quota de mercado mais elevada, a entrada de novos operadores possa ser vista como representando “certo perigo”. A responsável explicou ser preciso “olhar para as duas vertentes. Claro que o sector vai aumentar quando entrarem os novos operadores, mas é preciso saber que a quota que cada operadora tem no mercado vai diminuir”.

A Movicel, garantiu, está “preparada para enfrentar o desafio que se segue”, defendendo que a operadora tem uma vasta oferta de serviços para oferecer aos seus clientes. “Vamos ter novos e maiores desafios, mas acreditamos que temos uma escolha bastante ampla com a nossa oferta de serviços”, disse. “Vamos ver o que os novos farão, mas estamos prontos para enfrentar o desafio”, sublinhou.

Angola vai ter, recorde-se, dois novos operadores móveis, incluindo a Angola Telecom – a quem já foi atribuída licença. Esta empresa será, aliás, alvo de um processo de privatização parcial, de 45% do seu capital, ficando o restante nas mãos do Estado. O Governo anunciou também o lançamento de um concurso público internacional, com entrega de propostas até 27 de Fevereiro, para a entrada de um novo operador que, para além de serviços de telefonia móvel e fixa, irá disponibilizar pay TVe Internet.

Isabel dos Santos acha situação “insustentável”

Actualmente, o sector das telecomunicações conta apenas com a Unitel e a Movicel, sendo que a primeira possui uma quota de mercado de cerca de 73%, e a segunda, 27%. Angola tem hoje mais de 11 milhões de cartões da rede móvel registados. Isabel dos Santos, que detém 25% da Unitel, criticou nesta semana o alargamento do mercado a quatro operadores, defendendo que o País não tem dimensão para tal. “Quatro licenças num mercado de 24 milhões de pessoas é um cenário insustentável”, disse, em entrevista à Bloomberg.

A atribuição de duas novas licenças “provavelmente vai dar origem a algumas fusões após um período de cinco a seis anos”, acrescentou. A empresária defendeu, contudo, que “a concorrência é sempre bem-vinda”, e o concurso deverá “provavelmente atrair um número considerável de interessados”.
“O mercado de telecomunicações tornou-se muito maduro e já não é um negócio tão bom como era há 15 anos”, disse. (Mercado)

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