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Embaixador da Guiné Equatorial “escurraça” trabalhadores angolanos

Um cidadão nacional, José Domingos Pedro, de 42 anos de idade, acusa o corpo diplomático da Guiné Equatorial em Angola, de exploração e falta de consideração pelas leis angolanas.

O cidadão em causa acusa ainda o embaixador equato-guineense de se valer do seu estatuto para escurraçar os trabalhadores locais

“O caso é recorrente”, atira José Pedro. “Eles sempre fazem isso sempre que lhes dá na cabeça, principalmente quando chega um novo embaixador, diminuem o pessoal. É uma forma de ganharem dinheiro extra, porque o ministério da Guiné Equatorial conhece o número de trabalhadores e manda dinheiro consoante as categorias”, acusou.

José conta que há seis meses, depois de acometido por uma doença (tala) inflamação dos pés, foi dispensado pelo responsável máximo da embaixada, para que se tratasse, e depois então teria o seu posto de trabalho de volta. No entanto, diz o queixoso, um mês depois do tratamento, regressou a embaixada e foi “escurraçado”

“Foi um mês de tratamento, de muita dor. Tão logo senti-me curado, regressei ao serviço para me apresentar. Fui ter com o Conselheiro da embaixada, este disse que deveria esperar mais um tempo em casa, e que a qualquer momento seria chamado”.
Em casa, prossegue, sem salário ou qualquer outro tipo de subsídio por parte da instituição empregadora, ficou a depender dos negócios que a esposa fazia para sustentar à família.

“Vinte dias depois regressei a embaixada para saber como estava o meu caso, mas estes já não me queriam atender. Ficava na rua a espera, voltava para casa, esperava mais vinte dias, voltava para lá outra vez e continuava a mesma história”, lamentou.
Para sua surpresa, quase dois meses depois “os colegas ligaram para mim a dizer que o embaixador arranjou outro motorista. Voltei para lá para questionar a minha colocação e eles estavam a me ignorar”, disse, perguntando se o mandaram aguardar para isso.

“Como o contrato que temos é apenas verbal, oito anos depois, é assim que sou tratado? As embaixadas em Angola têm o poder de escurraçar os nacionais?”, questionou.

“Não tive qualquer tipo de subsídio, estive lá oito anos e nunca paguei sequer a segurança social, eles dizem que podemos ir nos queixar onde quisermos que isto não vai dar em nada. É como se fosse um biscato, este embaixador está em Angola há seis meses e está a fazer vida cara aos angolanos”, disse.
Actos recorrentes

“É incrível, as pessoas não conseguem imaginar como um ser humano consegue ser tão cínico”, contaram alguns funcionários que acusam o embaixador de excusar-se de dizer um simples bom dia. “Ele passa pelas pessoas como se fossem animais. Quando precisa de alguma coisa fala com o trabalhador sem olhar no rosto do funcionário ”.

Por outra, dizem os trabalhadores, quando o actual embaixador foi acreditado, a primeira coisa que fez foi baixar os salários dos funcionários.

“Baixou o salário dos seguranças, da cozinheira e da senhora que serve a mesa. Mas isto é assim com todos os embaixadores e outras figuras da embaixada. Sempre que são acreditados baixam os salários e fazem tudo para expulsar os trabalhadores, sem no entanto darem qualquer tipo de indemnização.

Embaixada diz que faz o mesmo que o embaixador angolano acreditado na Guiné Equatorial
Em entrevista exclusiva a este jornal, o conselheiro da embaixada da Guiné Equatorial, disse que a embaixada não é uma empresa e, logo, não tem como indemnizar qualquer funcionário.

“Somos um órgão diplomático sem fins lucrativo. O senhor José trabalhava com uma enfermidade e não avisou o embaixador. Ele andava com os filhos do embaixador sem ter em conta que o cheiro que exalava dos seus pés poderia causar uma enfermidade as crianças”, defendeu-se, apontando o embaixador de Angola acreditado na Guiné Equatorial como um exemplo para que a embaixada da Guiné em Angola proceda da mesma forma.

“O actual embaixador de Angola acreditado no nosso país, levou a sua cozinheira, o seu motorista e não colocamos nenhum obstáculo nisto”, disse. (Jornal O Crime)

por Belchior Resende

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