Capital calma

O dia foi calmo na capital do país, no Natal. Num dos principais centros de negócios, o São Paulo, havia mais lixo nas ruas do que gente a comercializar. O cenário era completamente diferente dos dias que antecederam ao Natal.
Algumas dezenas de pessoas vendiam nos passeios, mesmo defronte às lojas e os armazéns que tinham as portas encerradas. O movimento de viaturas também era fraco na Mutamba e no Quinaxixi não havia vida. Não se observava aquele corre-corre frenético dos dias normais de trabalho.

Nas bombas de combustíveis, que nos últimos dias registou grandes enchentes, os funcionários aguardavam de braços cruzados pelos automobilistas. Os multicaixas também estavam às moscas. No largo do 1º de Maio, na Praça da Independência, dezenas de crianças, acompanhadas pelos pais ou outros familiares, brincavam num carrossel instalado no local e lançavam balões para o ar. Também havia lanches e brinquedos.

A vila de Cacuaco estava deserta na manhã de ontem. Parecia desabitada. Na zona dos mercados do Kicolo e dos Kwanzas, o lixo transbordava dos contentores para o chão. Nas ruas, outras grandes quantidades de resíduos por recolher.
Muito cedo, Joana Domingos e Paula de Oliveira regressavam abraçadas da Igreja Universal, na zona da Mabor. Ambas vivem no bairro 11 de Novembro. Na Praça das Mulheres, ao longo da estrada Ngola Kiluange, na zona da Mabor, município do Cazenga, no sentido quem sai do Kicolo para o Hoji-ya-Henda, havia alguma confusão. Mas sem a azáfama dos dias anteriores.

Candongueiros chegam abarrotados de gente. Paravam em qualquer lugar sem o mínimo respeito pelas regras de trânsito. O movimento de viaturas e transeuntes era normal no Mercado dos Kwanzas. Nem parecia o Dia da Família. Na manhã de Natal, as mulheres invadiam as carrinhas que chegavam carregadas de hortaliças, que era comercializadas a céu aberto.
Josina Machel e Prenda

O banco de urgência do Hospital Josina Machel registou um movimento calmo se comparado aos anos anteriores. O director clínico em exercício, Manuel dos Santos, afirmou que a maioria dos pacientes apresentava traumas de diversas origens, como acidentes de viação e agressões físicas com uso de arma branca. “Tivemos um turno relativamente calmo se tivermos em conta o nosso dia-a-dia. Recebemos 160 pacientes, dos quais 68 foram assistidos na área de cirurgia e 92 na de medicina. Portanto, não registamos nenhum caso que tenha resultado em morte”, afirmou.

Apesar do Josina Machel não oferecer serviços de parto, o hospital registou o caso de uma senhora que entrou em trabalho de parto quando recebia assistência médica e medicamentosa para o tratamento da malária.

“A mulher teve aqui o seu bebé e recebeu a devida assistência”, disse Manuel dos Santos, director clínico em exercício. No hospital do Prenda, o médico-chefe do Banco de Urgência, afirmou que os casos clínicos estiveram em baixa, mas que houve um aumento da intensidade de pacientes traumatizados, vítimas de agressões físicas e de acidentes de viação.
“Nas últimas 24 horas, na especialidade de medicina tivemos uma redução significativa do número de pacientes. No total, tivemos um morto extra-traumatismo, cinco pacientes vítimas de acidentes de viação, 12 feridos com arma branca e 17 cidadãos vítimas de agressões físicas”, relatou o médico Walter Bravo Matias. (Jornal de Angola)

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