Campo Lianzi pode produzir mais petróleo

Angola recomendou ontem o aumento e melhoria no desempenho da exploração petrolífera conjunta no campo do Lianzi, localizado na fronteira marítima entre Angola e Congo-Brazzaville.

A recomendação foi feita pelo secretário de Estado dos Petróleos, Paulino Jerónimo, durante uma reunião entre os Governos angolano e congolês, que serviu para avaliar e perspectivar as acções no campo transfronteiriço comum.
Paulino Jerónimo adiantou, no final do encontro, que actualmente o campo tem uma produção diária de 16 mil barris, mas a perspectiva neste ano era de 17.500 mil barris por dia.
Quanto à avaliação do desempenho da produção, o secretário de Estado dos Petróleos disse que os dois países concluíram que está abaixo do esperado, por isso Angola recomendou ao operador mais esforços para contrariar a tendência da baixa de produção no campo do Lianzi.
Para a melhoria da produção petrolífera neste campo, o secretário de Estado anunciou que os dois países estão a estudar a possibilidade de perfuração de dois poços adicionais.
Paulino Jerónimo anunciou que, para o próximo ano , os dois países prevêem uma produção de cerca de 14 mil barris por dia.
O secretário de Estado lembrou que a partilha da produção entre os dois países é feita de acordo com o contrato. “Sabem que existem dois países neste contrato, Angola e o Congo e o grupo empreiteiro, e naturalmente que a produção obedece às regras do contrato”, disse.
O ministro de Hidrocarbonetos do Congo-Brazzaville, Jean Marc Thistere Tchicaya, fez um balanço do encontro, que considerou positivo, tendo lembrado que os acordos que unem os dois países são pactos que foram firmados politicamente a nível dos dois Estados.
“Muitos países que têm recursos fronteiriços dão origem a conflitos. Este acordo político entre os Chefes de Estado de Angola e do Congo permitiram chegar a um nível satisfatório”, salientou.
O ministro congolês considerou importante que os dois países avaliem e aprovem o orçamento para 2017 e façam a projecção para 2018.
Jean Marc Thistere Tchicaya reconheceu que o declínio natural do poço faz com que os dois países tenham menos produção de petróleo neste campo.
O início da produção no campo do Lianzi resulta de um acordo assinado entre a República de Angola e a República do Congo em 2002, com o objectivo de fazer a exploração conjunta de estruturas geológicas transfronteiriças no Bloco 14 (Angola) e Bloco Haute Mer (Congo).
Para fazer a exploração dessas estruturas foi assinado um acordo de participação entre os Estados e um grupo empreiteiro cuja operadora é a Chevron Congo.
Criou-se uma comissão interministerial de gestão e uma estrutura técnica. Os ministros dos Petróleos de Angola e dos Hidrocarbonetos do Congo, bem como os presidentes dos conselhos de administração da Sonangol e da SNPC(empresa petrolífera estatal do Congo) são membros desse órgão inter-estatal de gestão, que tem uma presidência rotativa com a duração de um ano.
A estrutura técnica é constituída por quadros dos dois países e cuja coordenação também é rotativa e com a duração de um ano. Existe ainda um secretariado executivo baseado em Ponta Negra, cujo secretário é angolano. A República do Congo assume a pasta de secretário adjunto.
Realizam-se anualmente duas reuniões da comissão interministerial, alternadamente em Angola e no Congo. Foram assinados diversos acordos tais como o de imigração e o aduaneiro. Todos os acordos que regem esta actividade foram aprovados pelos respectivos parlamentos.
As relações políticas entre Angola e o Congo-Brazzaville são históricas e excelentes, inclusive com visitas ao mais alto nível, a par de “um bom entendimento económico”, como é o caso da exploração comparticipada de petróleo na zona económica exclusiva comum, o que é inédito no mundo.
Com a recessão económica resultante da redução do preço do petróleo, Angola e Congo-Brazzaville estudam outras oportunidades de negócios, como a floresta do Maiombe, que cruza os dois países, e outros projectos a favor das respectivas economias. (Jornal de Angola)

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