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Até quando a dor de transporte em Maputo?

A POPULAÇÃO da região metropolitana de Maputo duplicou nos últimos anos. No entanto, este crescimento não foi acompanhado de investimento nos serviços sociais básicos, com enfoque para os transportes.

Em 2007, o número de residentes desta área, que compreende as cidades de Maputo e Matola, distritos de Boane e Marracuene, era de 2 010 292, de acordo com o Censo Geral da População, estimando-se que tenha atingindo perto de quatro milhões em 2017.

Este cenário faz com que, de há uns tempos a esta parte, os citadinos submetam-se a ginásticas diárias na procura do transporte para os locais de trabalho, de ensino e outros, sendo obrigados a recorrer, não raras vezes, a carrinhas de caixa aberta, vulgo “my love”.

Moradores de bairros como Albazine, Marracuene, Magoanine, Matendene, Albasine, Nkobe, Matola-Gare, Mulotana, Muhalazi e outros descrevem com tristeza o exercício diário para chegar aos diferentes locais de actividade.

Às primeiras horas do dia, perfilam carrinhas de caixa aberta nos terminais de transporte de passageiros com intuito de “socorrer” os que precisam de estar na cidade de Maputo a partir das sete horas, cenário que se repete de forma inversa no período da tarde.

Óscar Júnior, residente no bairro de Magoanine C, na zona de Matendene, conta que para chegar à cidade de Maputo tem de se socorrer de viaturas de 15 lugares com destino a Singathela, na Matola, descendo no George Dimitrov (Benfica), para depois apanhar outro carro.

“Nós não temos autocarros que nos levem directamente à cidade e, muitas vezes, tenho de apanhar um ‘chapa’ e descer no cruzamento para ter um carro que venha do Zimpeto para a cidade. Só que, por vezes, esta ginástica é tão demorada que chego quase sempre atrasado ao meu destino”, lamentou.

Mesma posição é defendida por Ester Massingue, do bairro do Chamanculo, que mesmo vivendo na cidade enfrenta dificuldades. Segundo ela, a densidade populacional não foi acompanhada do crescimento de outros sectores da economia.

“O que acontece é que a população aumentou, mas não houve acompanhamento do sector de transporte de passageiros, por exemplo. Mesmo vivendo aqui perto e numa paragem intermédia, tenho tido dificuldades para chegar ao trabalho”, afirmou.

Munícipes auguram dias melhores

A INTRODUÇÃO do sistema intermodal de transportes, que inclui automotoras e 100 autocarros, bem como a aquisição de 300 viaturas para seis corredores a serem geridos pelo sector privado, começa a trazer alguma esperança para a população de Maputo, Matola, Boane e Marracuene.

A semana passada foi marcada pela entrada em circulação de 52 autocarros para as rotas da Matola, Boane e Albasine. Trata-se de um reforço que vai minimizar a dependência dos “my love”, mesmo que esteja longe de satisfazer a demanda, como indica Constância Munguambe, residente de Tsalala.

“Para chegar ao Zimpeto, onde adquiro produtos para revenda, recorro à carrinhas de caixa aberta. Ter um chapa às primeiras horas ainda tem sido difícil e mesmo os autocarros que começaram a circular agora não abrangem a nossa rota”, disse.

Aurélio Matusse, residente de Magoanine, diz não perceber como é que funcionam os machimbombos, tanto da empresa de transportes públicos de Maputo como os geridos pelas associações de transportadores, tendo em conta que só os vê durante o dia.

“Durante o dia, até se consegue ver esses autocarros, mas nas horas de ponta eles ficam ‘engolidos’ pela multidão e as pessoas ficam mais de duas horas para ter acesso a um carro que as leve ao destino. Não entendo como estas empresas trabalham”, afirmou.

Entretanto, o vereador de Transportes no Conselho Municipal de Maputo, João Matlombe, garante que a problemática do transporte tem dias contados, sendo que esforços estão em curso tendentes à redução e possível eliminação da dependência de carrinhas de caixa aberta nos vários corredores da cidade.

“Para o ano, o Governo vai receber mais 100 autocarros, além de 300 que comprou através do sector privado. Do ponto de vista de organização, já temos condições criadas. Até Março do próximo ano, a problemática do transporte na cidade de Maputo ficará resolvida”, afirmou Matlombe.

ETM desvia-se na procura de receitas

A EMPRESA Municipal de Transportes da Matola (ETM) dispõe de 35 autocarros, dos quais 14 é que saem à rua para transportar passageiros das rotas herdadas aquando da extinção dos TPM.

Dos 14 autocarros em circulação, pelo menos cinco são desviados, nas horas de ponta, para transportar cabeleireiras da empresa Darling, que mudou de instalações, do bairro de Mahlampsene para o distrito de Boane.

Esta acção faz com que milhares de passageiros que dependem unicamente destes meios para se fazer aos seus mais variados destinos sejam deixados em terra. Os restantes 22 têm sido condicionados devido a avarias frequentes, o que impossibilita a sua utilização regular.

Segundo o porta-voz da ETM, Eliado Mussengue, a alocação dos autocarros ao serviço da Darling está alinhada com a política da empresa de buscar novas fontes de receitas e garantir a manutenção da frota.

“Isto está na linha da procura de outras fontes para melhorar a arrecadação de receitas. Prejudica, sim, os utentes, mas traz mais alguma coisa para empresa. Os autocarros fazem o trabalho nalgumas horas e depois retomam para o transporte de passageiros”, explicou.

A fonte disse ser vontade da empresa que os transportes públicos sejam os melhores, estando em curso esforços para manutenção da frota, em colaboração com o município da Matola, apesar de limitações financeiras.

“Recentemente, com fundos do município e parceiros, conseguimos adquirir sete autocarros Ashok e 10 VW, dos quais 10 estão no município. Temos procurado melhorar nesses termos para aumento da frota”, avançou Mussengue, acrescentado que “há um programa do MTC de utilização de uma oficina especializada no Tchumene, o que vai ajudar a conferir mais tempo de circulação das viaturas e disponibilização de meios de transporte para a população”

Nova tarifa pode trazer melhorias

A REVISÃO da actual tarifa do transporte público de passageiros, acordada em Agosto pelo Governo, municípios e transportadores, dever vista como um mecanismo para garantir a reposição da frota e manutenção dos autocarros.

É nesta esteira que está em curso a aquisição de 300 autocarros, como forma de subsidiar o sector privado, sendo que este vai reembolsar parte do valor do custo de aquisição dos meios que entrarão em funcionamento com a nova tarifa.

Segundo o presidente da Federação Moçambicana dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO), Castigo Nhamane, o povo não está em condições de pagar a tarifa justa, sendo, na sua opinião, tarefa do Estado subsidiar.

Já António Rodrigues, da Cooperativa de Transportadores do Corredor 1 (COOTRAC-I), gestora de uma frota de 50 autocarros em operação, considera que a aquisição dos meios deve ser complementada por outras acções para garantir a sustentabilidade dos mesmos, através da revisão da tarifa, pois, segundo afirmou, a actual não cobre os custos de operação.

Outra preocupação não menos importante está relacionada com a rede viária, pois, no seu entender, os autocarros que estão a ser adquiridos devem encontrar uma estrada preparada para a sua circulação.

“É preciso que se faça um pouco mais de investimento ou que sejam tomadas medidas para que os autocarros não fiquem danificados em pouco tempo. A faixa exclusiva é importante porque facilita o tráfego dos transportes públicos”, considerou o nosso interlocutor.

Sobre os 50 autocarros, a fonte disse que 22 meses depois estes continuam a funcionar em pleno, não obstante o facto de, durante este período, ter havido problemas relacionados com a manutenção, porque o fornecedor não estava devidamente preparado. (Jornal de Notícias MZ)

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